É preciso saber ler o jogo! ⚽️

O futebol e a estratégia de produto estão mais próximos do que você imagina!

Ah, como adoro esse momento da Copa do Mundo, em que instantaneamente eu e milhões de outras pessoas nos tornamos especialistas amadores de futebol.

O maior evento do futebol mundial mal começou e o desenrolar de alguns jogos já apresentaram resultados bem diferentes do esperado pelos comentaristas oficiais e até mesmo do modelo preditivo da Universidade de Oxford.

Coincidentemente, eu também me encontro na etapa de definição dos OKRs para 2023, portanto, foi inevitável não fazer um paralelo entre as estratégias dos times de futebol com as do campo de produto. Nos dois casos, um bom planejamento e preparação são indispensáveis para conseguir conquistar os objetivos. Mas isso por si só não vence o jogo.

Uma boa estratégia consegue melhor direcionar o time para alcançar os resultados esperados. Porém, mesmo depois de todo esse tempo de planejamento e os recursos certos na mão, pode acontecer da Argentina perder para a Arábia Saudita e a Alemanha ser goleada pelo Japão. Assim como um OKR pode não gerar o impacto previsto e os usuários não precisarem mais tanto assim da nova solução.

Mas por que isso acontece? Que boas práticas podemos adotar para garantir que nossa estratégia consiga de fato impactar os usuários e os objetivos de negócios no momento certo?

Antes de sair culpando a zebra ou acusar falhas no planejamento realizado, acho válido refletirmos que um dos maiores ofensores é a velocidade com que o mercado de tecnologia tem mudado, afetando diretamente a necessidade das pessoas e os riscos dos negócios.

Esse ano, eu aprendi muito sobre adaptar a estratégia a partir de uma boa leitura do jogo e pude acompanhar os impactos que alguns experimentos rápidos causaram nos indicadores de negócio da empresa. Por isso, gostaria de compartilhar com vocês 3 elementos que podem nos ajudar a vencer a partida.

Disclaimer: Os conhecimentos de produto presentes nesse texto vem de uma experiência verídica na área, já as de futebol, são só palpites de mesa de bar.

Olhares atentos ao jogo


Olhando a partir de um contexto mais amplo, a grande maioria das empresas de tecnologia dependem de investimento para crescer. Esses aportes são conquistados e distribuídos com base nas melhores estimativas. Porém, ao longo do ano os negócios vão sofrendo impacto tanto de variáveis externas, como uma crise no mercado, por exemplo, quanto internas, como problemas com pessoas e processos. Da mesma forma, times de futebol podem ser afetados pelo clima dos locais dos jogos ou por incidentes com seus jogadores.

Afunilando para o contexto de time, esse pode ser afetado pela mudança de direcionamento da empresa ou surpreendido por falhas, impedimentos ou uma aposta mal sucedida. Com todos esses riscos possíveis, fica claro visualizarmos como é perigoso ficar apegado ao planejamento de médio e longo prazo, ao invés de nos mantermos atentos e flexíveis às novas necessidades e oportunidades..

Vamos pensar sobre isso olhando um pouco para a prática. Pense em um roadmap dividido por quarters (trimestres) ou por now, next, later. O time tende a ter maior nível de certeza do que está no now e essa visão vai ficando mais turva com o passar dos meses. Logo, é necessário que se faça uma revisão e refinamento, principalmente do que se encontra em next, olhando novamente para os objetivos da empresa, os movimentos de time e as novas descobertas. Isso é bom de ser feito sempre nos momentos de troca de quarter, porque saber ler bem o jogo e fazer as adaptações necessárias ao longo do ano é o segredo dos campeões!

Imagem meramente ilustrativa de um roadmap

Entrosamento de time


Mesmo que Cristiano Ronaldo e Lionel Messi sejam os melhores do mundo, eles sozinhos não conseguem vencer a partida. Na verdade, a falta de aproximação e treinos com o time acaba atrapalhando na hora do jogo. Em um cenário de time de tecnologia isso não é diferente. Uma boa execução da estratégia e o sucesso do produto depende das pessoas.

Então, é altamente recomendado que você saiba as habilidades e motivações de cada jogador. Isso vai te ajudar na hora de fazer alterações, de direcionar para incidentes ou boas oportunidades. Além disso, temos que prezar sempre  por uma boa e fluida comunicação entre as pessoas do time.

De acordo com o relatório Connected Culture, 71% dos funcionários que disseram ser mais produtivos se sentem bem conectados com seus colegas. Portanto, é correto afirmar que membros de time que possuem uma boa comunicação entre si são mais produtivos. Inclusive, um relatório da McKinsey comprovou que nesses casos, o time consegue alcançar um aumento de produtividade de 20 a 25%.

Então, aqui vai o checklist básico de um time com boa comunicação:

  • A visão é clara e foi entendida por todo o time.
  • Todos os membros sabem o porquê de tudo que desenvolvem.
  • O time colabora na definição e priorização dos objetivos.
  • Existe respeito sincero e transparência entre todos.
  • As pessoas se sentem à vontade para dar e receber feedbacks.
  • Os membros do time trabalham juntos e se ajudam durante as sprints.

Extra: Muito bom humor envolvido!

Achou espaço é gol


Não é à toa que os maiores especialistas da área de produto como Marty Cagan e Teresa Torres evangelizam a experimentação de forma constante pelos times de produto. Isso ajuda a trazer a velocidade e liberdade criativa necessária para encontrar as melhores jogadas e reduzir o risco de uma surpresa negativa no futuro. Um time de produto precisa testar suas ideias e hipóteses antes dos desenvolvedores se depararem com a solução no backlog.

Vamos combinar que se o Richarlison não tivesse treinado aquele chute várias vezes antes, não teríamos presenciado o gol mais bonito nesta Copa. E é disso que se trata a descoberta de produtos. O time precisa identificar as oportunidades, visualizar o que se deseja fazer e testar primeiro. Isso irá ajudar a reduzir os principais riscos envolvidos antes de a solução ser desenvolvida e lançada para os usuários.

Você pode usar e abusar das inúmeras técnicas e modelos disponíveis para uma boa condução de discovery. Mas é importante se certificar de que o time estará cobrindo nessas pesquisas e testes todos os riscos cruciais. Aqui vai o exemplo dos 4 sugeridos pelo autor Marty Cagan no seu livro Inspired:

  • O cliente comprará isso ou escolherá usá-lo? (risco de valor)
  • O usuário consegue entender como usá-lo? (risco de usabilidade)
  • Nós conseguimos desenvolvê-lo? (risco de viabilidade)
  • Esta solução funciona para o nosso negócio? (risco de viabilidade do negócio)

Que venha o Hexa e os nossos resultados!

Eu amo fazer analogias, isso me ajuda a abstrair os conceitos técnicos da área para um lugar mais amplo. Nós temos um pouco para aprender em todo lugar e vários pontos de sinergia entre as áreas. Prova disso é que se eu citar: definição de objetivo; time de profissionais talentosos; criação de estratégia; direcionamento das atividades; simulações; estudo dos adversários e muita colaboração, pode ser que eu esteja falando de um time de futebol profissional ou de um time de produto.
Se isso fez sentido para você, a minha dica final é, absorva, aprenda e pratique muito os conceitos, frameworks e ferramentas da área de produto, mas não se prenda somente neles. Existem muitas formas de fazer produto, por isso uma boa base é fundamental, mas não é tudo. Deixe espaço para percepção, pros relacionamentos, para intuição e pro seu talento. O futebol de hoje também está moderno, cheio de dados e estatísticas. Ainda sim, a arte acontece!

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