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Product Discovery: O Que É, Quando não fazer e Como Fazer

O by the book sim, para ajudar o montão de gente que ainda não manja discovery no conceito, mas não só isso

Imagem de destaque de Product Discovery: O Que É, Quando não fazer e Como Fazer

Nunca se falou tanto em Product Discovery como agora.

E há uma boa razão para isso.

O mundo V.U.C.A aumentou a complexidade dos negócios e agora vemos com mais clareza que nós temos hipóteses, e não certezas.

Nessas discussões de como lidar com o momento, muitos se perguntam: fazer certo o produto ou fazer o produto certo?

E eu logo respondo: fazer o produto certo.

É aí que entra o Product Discovery.

O assunto também ganha notoriedade com a quantidade de cursos relacionados e pessoas falando por toda a comunidade. No entanto, ainda assim, é impressionante o desconhecimento sobre o tema. Tudo isso cria um ambiente místico sobre Product Discovery, o que só atrapalha!

Preparado para entrar de cabeça no assunto?

Aqui, vou desmistificar o Product Discovery, tratando tudo de forma direta e simples.

Vem comigo!

O que é Product Discovery?

Vamos começar do começo.

Analisando o termo ao pé da letra, temos a ideia de que Product Discovery é a descoberta de um produto.

De fato, é isso, mas não se trata de qualquer produto.

E, sim, do produto certo.

Além disso, há objetivos mais concretos que definem a utilização do Product Discovery.

Ele é um conjunto de atividades usado para responder perguntas sem respostas com a intenção de mitigar riscos, mais especificamente, quatro tipos de riscos, conforme explica Marty Cagan, no livro Inspired:

  • Risco de valor: o cliente irá comprar ou escolherá usar essa solução?
  • Risco de usabilidade: o cliente entenderá como utilizar essa solução?
  • Risco de execução: temos capacidade para construir essa solução?
  • Risco de viabilidade: essa solução funciona para o nosso negócio?

O Product Discovery, portanto, surge a partir de um risco (ou mais de um), se desenvolve por um estudo aprofundado e termina na entrega de uma solução.

Por que fazer Product Discovery?

Você já deve ter ouvido um dos ditados mais populares do meio futebolístico que é “treino é treino, e jogo é jogo”, certo?

Fazendo uma analogia a ele, o Product Delivery (entrega do produto) é o jogo, enquanto o Product Discovery é o treino.

No treino, os jogadores se preparam tecnicamente, estudam estratégias, ensaiam jogadas, analisam os adversários e por aí vai.

No Discovery, o PM estuda o mercado, analisa os concorrentes, planeja como mitigar os riscos, entre outras atividades.

Percebe como os movimentos são parecidos?

No futebol, o objetivo é superar o oponente e vencer o jogo.

No Discovery, a missão é entregar o produto certo para solucionar um problema de mercado e gerar mais resultados para o negócio.

E nenhuma das equipes, seja esportiva ou de produto, vence se não treinar, concorda?

É por isso que o Discovery é tão importante.

Afinal, o Discovery é sempre necessário? Quando fazer?

Não há necessidade de fazer o Product Discovery sempre e eu vou bater nessa tecla quantas vezes for preciso.

Embora seja um método bastante eficaz, ele não é indispensável, e tampouco é o único que fornece as informações que precisamos.

Você pode seguir sem o Discovey se o valor percebido é alto (vantagens agregadas) e o risco é baixo e, ainda, se há confiança para tomar uma decisão.

Existem outros processos, além do Discovery, em que o time do produto e o PM, normalmente, se envolvem ou participam, e que servem para gerar e analisar hipóteses, pesquisa e dados.

Planejamento estratégico, Definição de OKR, Sessões de Design Thinking, UX Research, Discussão de Roadmap, Blueprint e Mapeamentos Operacionais são alguns deles. Em todos esses eventos, hipóteses e suas propostas de valor são geradas.

É um erro achar que as ideias só vem do PM e do time do produto.

Ainda tem o Hypothesis Canvas, que, ao priorizar essas hipóteses, pode eliminar a necessidade de fazer o Discovery.

Dê uma olhada no quadro abaixo e veja como funciona:

Você pode baixar o modelo em: https://jeffgothelf.com/blog/the-hypothesis-prioritization-canvas/

Não caia na cilada de que “todo mundo está fazendo Discovery, eu tenho que fazer também”.

O mercado, muitas vezes, impõe culturas que nos deixam mais longe dos negócios e das pessoas.

Por isso, antes de decidir suas estratégias, construa e avalie os resultados.

E lembre-se: os ciclos de Discovery são válidos só quando o risco é alto ou você não tem segurança nos seus dados.

Exemplo de Hypothesis Canvas e priorização das hipóteses

Ok, decidi fazer Product Discovery. E agora?

Primeiramente, observe se jornada percorrida até a sua decisão segue esse fluxo:

Etapas percorridas até a decisão de fazer Product Discovery

Se sim, você está mesmo no caminho certo.

Para continuar seguindo e começar a fazer o Product Discovery, certifique-se também de cumprir os seguintes requisitos:

Validação da hipótese

Certamente, a essa altura, você já tem sua hipótese.

Mas pare um pouco e reflita se ela é um problema ou uma solução.

Isso porque começar com um problema, e não com uma solução, faz toda a diferença.

Você deve amar o problema.

Embora seja simples na teoria, na prática não é bem assim.

Além disso, sem dados uma hipótese é apenas uma opinião.

Dessa forma, se algum dos aspectos abaixo forem observados, acenda o sinal de alerta:

  • Acreditar que a ideia é a melhor do mundo
  • Não ouvir os clientes
  • Não mergulhar na dor
  • Não começar validando o mais difícil.

Processos como Double Diamond

Você deve ter em mente que não existe uma fórmula mágica para encontrar a solução ideal para o problema.

Entretanto, há certos processos que funcionam como modelos mentais e nos ajudam a propor resoluções de maneira mais assertiva.

Um deles é o Double Diamond, que combina o pensamento divergente (em que muitas ideias são criadas) e o pensamento convergente (foco nas ações).

Esses pensamentos são divididos em quatro fases distintas: Descobrir, Definir, Desenvolver e Entregar.

Você pode, portanto, organizar as atividades do Discovery dessa forma.

Vale dizer ainda que o seu foco deve estar sempre no problema, e não no processo.

Usuários e interações contam mais do que métodos e ferramentas, ok?

Exemplo de aplicação do Double Diamond. Referência: IDEO - Design Thinking https://designthinking.ideo.com/

Quais são as atividades do Product Discovery?

Há uma infinidade de atividades que podem ser feitas no Product Discovery.

Mas isso não significa que você deva usar todas, como se fosse um checklist.

As ferramentas devem ser escolhidas de acordo com as suas necessidades.

Ou seja, é preciso refletir sobre a sua hipótese e, principalmente, sobre o risco que pretende mitigar.

Evidentemente, é importante conhecer cada técnica e cada framework, pois isso trará confiança e preparo para os diferentes contextos.

Veja a seguir algumas dessas atividades!

Exemplos:

  • Desk Research
  • Benchmarking
  • Mapear Cadeia de Valor
  • Análise de Mercado
  • Definir Segmentos de Mercado
  • Criar Target
  • Criar Personas
  • Definir Tamanho de Mercado (TAM, SAM, SOM)
  • Identificar concorrentes e substitutos
  • Jobs-to-be-Done
  • Design Sprint
  • Pesquisa com usuário ou potencial usuário (diversos tipos)
  • Entrevistas com stakeholders
  • Análise de Dados Internos
  • Matriz CSD
  • Design Thinking
  • Service Blueprint
  • Criação de MVP
  • Construção de Canvas (Lean, Business, Empatia)
  • Agile Estimating.

Apresentando os resultados do Product Discovery

Separei este tópico para algumas dicas de como apresentar os resultados do Product Discovery.

Mas, antes, tem algo importante que eu preciso acrescentar, e acho que o momento é oportuno.

Product Managers não decidem negócio.

Seu papel é direcionar produtos.

Carregue isso como um mantra, ok?

Agora, sim, vamos às recomendações de apresentação:

  • Técnicas de apresentação: simplifique o entendimento, fale a língua do público, crie hooks de engajamento, links emocionais e artefatos que sejam fáceis de lembrar
  • Conte o processo: acima de tudo, é necessário um processo de educação sobre o que é Discovery
  • Apresente as evidências: fotos, gráficos, mapas de empatia…tudo!
  • Tenha uma análise: organize o resultado e defina uma proposta junto com o time envolvido
  • Decision Making: não ignore o aprendizado.

Conclusão - Cultura para isso é necessário

Está claro que o Discovery não foi criado para validar a sua convicção ou a do seu líder, certo?

Além disso, para executá-lo, é preciso que a empresa tenha cultura que favoreça o Product Discovery, experimentação, cliente no centro e tudo aqui que rotulamos como “cultura de produto”.

Acompanhe essa pirâmide:

Ponto de partida do Product Discovery

A base de tudo é a visão.

Ela é o propósito da empresa e é imutável.

A estratégia, por sua vez, representa os planos adotados para que a visão seja cumprida.

No topo da pirâmide está o produto.

Ele é composto por hipóteses de acordo com a estratégia.

Portanto, se a estratégia muda, o produto muda também.

Dessa forma, para aplicar o Product Discovery, é preciso ter um ambiente cultural que permita a experimentação e a pivotagem.

Do contrário, o Discovery vira bula de remédio ou muleta.

Se este ambiente ainda não existir, é necessário criá-lo primeiro.

A criação de um ambiente que favoreça tudo isso que consta neste artigo não é uma tarefa simples.

Ela vai demandar tempo, resistência e muita dedicação.

E, olha, se tem uma dica que considero fundamental é essa: pense grande e comece pequeno.

Quer fazer isso na sua empresa? Escolha um time, um produto, uma feature.

Faça o processo de produto que acredita.

Gere o resultado e mostre esse resultado pelos quatro cantos da empresa, contando como foi o processo para chegar lá.

Nessa altura, você já terá outros que gostarão de fazer como você.

Reúna essas pessoas e comece a expandir a forma de fazer produto, cativando mais e mais pessoas.

Crie hábitos, seja resiliente e gere resultados.

Esses hábitos irão se tornar a cultura.

E, então, o que achou do conteúdo sobre Product Discovery?

Ficou claro o que é e quando usá-lo?

Espero que sim.

Se ficou com alguma dúvida sobre o tema, não hesite em entrar em contato comigo pelo LinkedIn.

Referências

Inspired, de Marty Cagan

The Startup Way, de Eric Ries

Design Thinking, da IDEO

The Hypothesis Priorization Canvas, de Jeff Gothelf

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