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Como evitar decisões ruins trabalhando como PM

Dicas para sair do piloto automático e tomar melhores decisões

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Em toda empresa, decisões são tomadas a todo momento, mesmo quando não fazemos isso explicitamente. Quanto maior a empresa, mais decisões são tomadas e mais complexo pode ficar de tomá-las.

Quando falamos do contexto do trabalho de uma pessoa que trabalha com gestão de produto, basicamente o que ela faz é conduzir um processo decisório (em algumas empresas ela mesma toma a decisão sozinha) que envolve muitas variáveis e o qual vai ditar os rumos dos produtos daquela empresa e consequentemente os resultados também.

Saber conduzir um processo decisório sólido e efetivo é então parte bastante crítica do dia a dia de uma PM. E acredite, é muito fácil tomar decisões ruins, simplesmente porque o nosso cérebro tenta nos enganar a todo momento para poupar energia.

Eu tenho parado para pensar em muitas das decisões ruins que eu tomei nos últimos tempos e cheguei em cinco elementos principais que vou deixar aqui para vocês tentarem evitar tomar decisões ruins no dia a dia.

Busque alfabetização emocional

Não fomos alfabetizados emocionalmente. Não aprendemos a lidar com as nossas emoções na escola. Ficamos irritados, frustrados, tristes, decepcionados, ansiosos. É uma montanha russa de sentimentos todos os dias e toda hora.

Se a gente não consegue perceber o que estamos sentindo, fica muito difícil evitar o piloto automático que o nosso cérebro entra para tentar nos defender principalmente dos sentimentos ruins, como irritação, raiva e tristeza. Tomar decisões quando estamos nos sentindo assim, é certamente o caminho para decisões ruins. Um exemplo clássico de uma decisão ruim em um contexto de irritação é discordar de todo mundo porque quer fazer seu ponto de vista ser aceito e tomar a decisão sozinho, a famosa “carteirada”.

Por outro lado, se não percebemos que estamos felizes, eufóricos e alegres é tão ruim para tomada de decisão como quando os sentimentos são ruins. Tomar decisões na euforia também nos faz ser mais afirmativos e positivos e podemos nos comprometer com coisas que não vamos conseguir entregar ou fazer depois. Aqui um bom exemplo é quando estamos numa reunião, tudo está indo muito bem, recebemos vários elogios, todos estão felizes e começam a pedir novas funcionalidades que não tem relação nenhuma com os objetivos e nos comprometemos no momento da euforia geral dentro da sala.

Perceber as emoções é o primeiro passo pra gente conseguir entender o que está acontecendo com a gente e sair de uma discussão por exemplo antes de estourar. Você não vai deixar de sentir, mas você pode deixar o sentimento fluir melhor e não se envolver em tomadas de decisões sabendo que você não está bem naquele momento pra isso.

O segundo passo é a gente conseguir descobrir os gatilhos que nos geram determinados sentimentos e acredite, eles são muitos. Dificilmente você encontrará todos, mas você pode encontrar os principais e já ganhar consciência que ele está lá e quando ele vier você será capaz de perceber rapidamente que o que você está sentindo vai mudar, pra melhor ou pra pior.

Nos dois casos, o segredo é reflexão. Realmente falar consigo mesmo e anotar sobre as emoções que você passou no seu dia. É assim, refletindo todos os dias, que o seu conhecimento sobre as suas emoções aumenta e você será capaz de se equilibrar e tomar melhores decisões (ou não tomá-las) quando o mau humor ou a euforia bater.

Não busque aprovação social

Esse é um dos principais motivos que me fizeram tomar decisões ruins como PM lá no início da minha carreira. Mesmo a gente muitas vezes sabendo que existem caminhos melhores, muitas vezes tomamos decisões para conseguir aprovação social.

Isso pode acontecer por diversos motivos, desde um ambiente empresarial autoritário, onde só se consegue crescer agradando o chefe até simplesmente não estarmos preparados para a posição de gestão de produto.

Como PM, é fundamental ter coragem para questionar qualquer pessoa da empresa, até as altas lideranças. Imagina que a CEO da empresa chega e te pede para fazer algo porque ela acha que é uma grande ideia e você já até tinha visto dados e evidências de que isso não traria resultado nenhum. Se você estiver buscando aprovação social, o mais comum será concordar e executar, porque afinal é a CEO da empresa! Mas na realidade, o seu trabalho não é agradar às pessoas, o seu trabalho é entregar resultado e isso dificilmente vai vir seguindo tudo o que todos falam.

Se você precisa de aprovação social para todas as decisões é provável que existam disfunções grandes na sua empresa. Se os critérios para você crescer na empresa dependem da sua aprovação social, as disfunções são mais graves ainda.

Não caia nessa, uma ótima PM é uma PM que questiona tudo à sua volta para encontrar de fato o caminho que vai gerar mais valor para o usuário gerando o maior retorno possível para o negócio.

“Elimine” o viés da confirmação

“Viés de confirmação, também chamado de viés confirmatório ou de tendência de confirmação, é a tendência de se lembrar, interpretar ou pesquisar por informações de maneira a confirmar crenças ou hipóteses iniciais.” Wikipedia

Basicamente, buscamos confirmação para aquilo que acreditamos e não questionamentos para descobrir se estamos errados, isso até com os dados. É bastante fácil mentir com estatística! Um exemplo é quando nos apegamos a funcionalidades porque achamos que é uma boa ideia ou simplesmente achamos que é algo bem legal para ter no produto e ao invés de nos questionarmos se ela realmente vai trazer resultado, buscamos aprovação das pessoas e até dados que confirmem nossa convicção. Cuidado com métricas de vaidade. Trazer usuários que nunca vão rentabilizar e que podem virar detratores do produto mais tarde, não é uma boa aposta.

Conhecimento tácito (intuição) é algo bastante útil, mas não dá pra contar com ele em 100% dos casos para tomar decisão. Existem dados disponíveis? Já experimentou perguntar para outras pessoas o que elas acham dessa decisão? O que mais pode ser considerado antes de tomar essa decisão?

Não seja uma PM no piloto automático. A chance de tomar decisões ruins é muito grande!

Desça mais níveis da espiral de causas

Todo problema está dentro de uma espiral de causas.

Não consigo correr mais rápido. Por quê?

Por que não tenho um bom tênis. Por quê?

Por que não tenho dinheiro para comprar. Por quê?

Por que não tenho um bom salário. Por quê?

Por que não tenho um bom emprego. Por quê?

Por que não me formei na faculdade. Por quê?

Deu para entender né?! Quando alguém vem nos pedir algo, geralmente a primeira pergunta que fazemos como PM é, mas qual problema você quer resolver? E a segunda, como você sabe que isso é um problema?

No geral, PMs que tomam más decisões não descem mais níveis na espiral e já aceitam a fala dos stakeholders como verdadeira. Quer mandar bem? Entre na espiral até se aprofundar no problema num nível de confiança suficiente para diminuir o risco.

Reflita constantemente sobre as más decisões

Não costumamos refletir sobre nossos erros porque é algo doloroso e inconfortável. Mas é refletindo que conseguimos entender os elementos que levaram a gente a tomar decisões ruins (foi refletindo que eu escrevi esse texto!). É só a partir da descoberta desses elementos que vamos conseguir inibí-los numa próxima vez para mudarmos os rumos de nossas decisões.

E pior, quando não paramos para refletir, muitas vezes insistimos em tomar decisões seguindo a mesma linha de raciocínio anterior, a qual justamente nos fez errar. A gente insiste no erro e buscando uma fuga da dor de errar, colocamos mais peso ainda na esperança de que ainda vai dar certo. E no geral, não vai! Se está muito complexo de avançar em algo, desconfie de que você entrou numa bola de neve de decisões ruins e se questione olhando para o passado.

Exemplos de decisões ruins que já tomei como PM:

  • Colocar algo no ar só porque algum stakeholder ou algum diretor queria.
  • Ver dados dizendo que o experimento não estava convergindo e continuar fazendo interações para ver se funcionava.
  • Colocar no ar uma funcionalidade que atendia poucos clientes porque era o que estava mais na cara e eu estava sendo pressionado para entregar coisas.
  • Estar muito convicto que algo ia dar certo ao ponto de já afirmar isso para outras pessoas e áreas e depois ver que eu estava errado.
  • Achar que eu sabia o problema, mas na verdade estava lidando com os efeitos do problema.
  • Em reuniões que me irritei com o time, tomei a decisão sozinho de fazer algo.

E pode ter certeza que tem muito mais, eu só não lembro de todas!

Nossa vida é feita de decisões

Nós tomamos decisões o tempo todo. Das mais simples até as que podem ter um impacto grande na nossa vida e na vida das pessoas que estão à nossa volta. Se vou acordar às 7 ou às 8 estou tomando uma decisão.

Certamente existem mais pontos para considerar antes de tomar uma decisão, e eles podem mudar de empresa para empresa, de contexto para contexto. Os pontos que eu trouxe aqui foram os que me ajudaram nesses últimos anos a tentar de fato enganar o meu cérebro para conseguir sair do piloto automático, que é quando estamos sob o maior risco de tomar decisões ruins.

As melhores PMs que eu vi, foram as que me questionavam o tempo todo. Não diferente de outras lideranças, várias vezes já cheguei com ideias mirabolantes que depois eu mesmo não entendia porque tinha trazido aquilo. Quando alguma PM me questionava, eu sabia que eu estava fazendo um bom trabalho como líder.

Sair do piloto automático é super possível, mas como tudo que queremos dominar, vai levar tempo, muita prática e muita reflexão. Agora você já tem 5 pontos que podem te ajudar a começar agora mesmo a tomar melhores decisões.

Tem outros pontos ou outras práticas de reflexão sobre tomada de decisão? Conta pra gente!

Referências



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