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A falácia do dizer "não"

No dia a dia de trabalho, o PM precisa dizer “não” para algumas ideias e sugestões que surgem dos stakeholders

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No dia a dia de trabalho, o PM precisa dizer “não” para algumas ideias e sugestões que surgem dos stakeholders.

Mas esse “não” tem sido distribuído de maneira totalmente arbitrária.

Esse comportamento prejudica não só o produto, mas também a influência do profissional nas empresas.

O “não” precisa de contexto e de critério. Diria que as vezes nem é preciso dizer o não. Se você tiver feito o seu trabalho e chamadoe chamado as pessoas para conversar sobre.

Neste artigo, eu mostro como e quando dizer “não” sendo um PM.

Vem comigo!

Sobre dizer “não”: o PM tem que ser autoritário?

Para quem está chegando agora na área de Produtos, algumas máximas jogadas ao vento no mercado, se forem levadas a sério, podem transformar o PM em um ser absolutamente autoritário.

Primeiro, para começar, o PM não tem nenhum poder sobre os outros.

E digo mais: ele não tem nenhum poder sobre o produto.

Por que, então, se comportar como o dono?

E que fique claro aqui que não falo sobre a cultura Ownership, mas, sim, do sentimento de posse.

Afinal, o PM precisa acreditar, amar e se dedicar ao seu produto.

Além disso, pessoas de Produtos devem ser agnósticas, curiosas, questionadoras e negociadoras, mas nunca ditadoras.

Tenha sempre em mente que quem tem poder sobre o produto é o cliente.

Ele decide usá-lo ou não usá-lo e tem seus motivos para qualquer decisão e comportamento.

O que levar em conta antes de dizer “não”

Você já ouviu alguém dizer que é preciso falar “não” para que o produto não seja prejudicado?

É bem provável que sim.

Mas o quanto isso é uma verdade absoluta?

Muito pouco, eu diria.

Se você disser “não” para tudo, certamente, vai perder boas oportunidades de fazer o seu produto decolar.

Além disso, a recusa das sugestões pode provocar diminuição e até perda da capacidade de articulação e de capital político.

E, vamos ser sinceros, sem isso, o PM não tem força dentro da organização.

Afinal, o trabalho é todo construído com a participação dos stakeholders.

Por isso, você, como pessoa de Produtos, não tem o direito ou o papel de dizer “não'' quando acha que alguma coisa não faz sentido.

Pelo menos não antes de pensar.

E quando digo “pensar”, falo de analisar.

Durante essa análise, você pode descobrir potencial na ideia que não entendia tão bem no início.

E como saber se uma ideia vale a pena?

A sua análise vai mostrar se uma ideia vale a pena ou não.

Mas, se você se sente perdido para conduzir esse estudo, é só pensar em alguns aspectos principais, como, por exemplo, se a ideia melhora a vida do seu usuário ou cliente.

Se a resposta for positiva, siga em frente na análise.

Reflita também sobre a viabilidade da ideia, não só sobre os custos, mas se existe um plano consistente para colocá-la em prática.

Ademais, é o que eu sempre digo: use as ferramentas a seu favor.

Faça uma pesquisa, avalie os números, recorra ao Product Discovery, se for necessário, e apresente essa análise para o seu stakeholder demandante.

Afinal, como dizer “não” quando é preciso

Meu conselho é: seja diplomata, e não ditador.

Mesmo depois da análise, se você concluir que a ideia não é boa, reúna argumentos para estimular a reflexão do seu stakeholder.

Traga evidências do seu estudo.

Apresente números e promova conversas.

Faça com que o stakeholder também chegue à mesma conclusão que você.

Para isso, use a persuasão, mas na medida certa.

Você precisa ser uma pessoa simpática e empática ao que te trazem.

É um atributo básico, sobre ter respeito pelas pessoas que trabalham com você.

Não se esqueça ainda de que todas elas têm interesses legítimos e querem gerar resultados.

Coloque-se no seu lugar também.

Produtos não são criados por PM.

Produtos são criados pela colaboração de muitas áreas, por muitos pontos de vista e pela união das ciências.

Conceitos como o Ágil, Antifrágil, Organizações Exponenciais e Lean tem como base a descentralização dos processos, poderes e cargos.

Dizer “não” para tudo é ir na contramão de todos esses conceitos que a gente tanto apoia.

E o medo de dizer “não”?

Eu incluí este tópico no artigo porque, ao mesmo tempo em que há ditadores no mercado, também há muitos liberais, isto é, profissionais que se ausentam dos posicionamentos e aceitam tudo.

E, como tudo nessa vida, os extremos não ajudam.

Se você disser “sim” para todas as ideias por não ter voz e confiança para se colocar, vai ser impossível dar foco para o seu produto.

Esqueça o medo de errar, de ser julgado ou de se sentir incapaz.

Nessa hora, os seus sentimentos precisam ser deixados de lado.

Suas decisões devem ser baseadas em dados e fatos.

E, além disso, você não vai comprar briga ou ser mal visto na empresa se os seus argumentos forem válidos.

Conclusão

Espero que, neste artigo, tenha ficado claro que não tem como aprovar e executar qualquer ideia se antes ela não for muito bem estudada e analisada.

Por isso, sair distribuindo “nãos” não é a melhor opção para a sua carreira como PM.

A pessoa de Produtos não deve ser dona de toda a razão e a guardiã da sabedoria.

Seu papel é ser facilitadora do processo de planejamento, execução e evolução do produto que administra.

Escute antes de falar. Seja agnóstico e investigue as oportunidades.

Se você fizer isso, será um profissional mais respeitado e abrirá portas na empresa.

Disso você pode ter certeza.