Photo by <a href=Ronnie Overgoor / Unsplash">
Photo by Ronnie Overgoor / Unsplash

Tornando sonhos e objetivos tangíveis

Se alguém está sem fôlego o tempo todo só de lidar com o presente, não há energia para imaginar o futuro.

Todos temos sonhos e objetivos, sejam eles pessoais, como metas de treino físico, aprender um novo idioma, viajar, ou também profissionais, como desenvolver habilidades e conhecimentos em programação, gerenciamento e liderança, se tornar bem-sucedido financeiramente, até mesmo metas no seu trabalho ou empresa.

O ponto é que todos nós temos desejos e vontades que nos movem, porém, a realidade pode ser um pouco dura quando olhamos apenas para o resultado que queremos e não para o caminho que vamos percorrer. Geralmente aqui gera ansiedade, sentimento de inviabilidade (dependendo do sonho ou objetivo), frustração e, no pior dos casos, deixamos de acreditar e abandonamos.

Embora tudo tenha um começo, um marco zero, relutamos muito em aceitar isso, queremos tudo para agora, e muitas vezes estamos tão focados no imediatismo que esquecemos de planejar o futuro. Como disse em 1978 a socióloga Elise Boulding: "Se alguém está sem fôlego o tempo todo só de lidar com o presente, não há energia para imaginar o futuro".

A questão é que quando deixamos de pensar no futuro, consequentemente aceitamos o futuro que vier e automaticamente perdemos o controle sobre o que realmente queremos. E, como diz na música do Zeca pagodinho, "deixa a vida me levar", eu te pergunto: você realmente quer que a vida o leve?!

A ansiedade no caminho da evolução

Estive muito tempo preso nesse dilema do imediatismo e de querer resultados para ontem. De certa forma eu sabia que as coisas levam tempo para se concretizar, porém, eu não conseguia entender se o que eu estava fazendo hoje era coerente com aquilo que eu queria no futuro. Ou se não era tangível e mensurável, eu não conseguia entender se estava evoluindo na direção certa.

E se estava, não estava comemorando as pequenas vitórias, o que é muito importante. Porque afinal, segundo William Edwards Deming: "Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, e não há sucesso no que não se gerencia". Com esse insight do Edwards aprendi alguns passos, os quais eu precisava mapear para cada sonho e objetivo e que vou detalhar a seguir:

Primeiro passo

Eu precisava entender o que sabia sobre esse sonho/objetivo para alcançá-lo, se eu dominava esse assunto ou se eu precisaria estudar para compreender. Se eu não sabia, realizava alguns estudos e pesquisas, para entender, e muitas vezes descobria que entendia mais do que eu imaginava, mas também às vezes achava que sabia e, na verdade, não sabia nada (pior dos casos).

Para identificar esses pontos comecei a utilizar uma matriz simples, que conseguimos enxergar visualmente os pontos mencionados.


Costumo refletir sobre o sonho/objetivo que quero atingir e ir anotando tudo que vem à cabeça sobre o assunto, após isso começo a classificar dentro da matriz as reflexões. Tudo que sabemos é ótimo, mas tudo que não sabemos pode ser o fator que nos distância do que queremos, por isso, a medida que faço o levantamento do que preciso entender, busco referências que podem me ajudar a entender o que eu ainda não sei e o que eu não sei que não sei.

Segundo passo

Chegado o momento que eu já entendo o que quero e já sei o que preciso fazer, é importante definir isso de uma maneira clara e ilustrativa, pensando não somente no resultado final que quero chegar, mas sim nas atividades menores que tenho que realizar para chegar lá.

Costumo utilizar uma ferramenta que me auxilia muito nessa visualização e que se chama Objectives and Key Results (Objetivos e Resultados-chave). Ela foi  criada pelo Andry Grove na década de 70 quando ele trabalhava na Intel e foi originalmente desenvolvida para alinhamento e definição de cadência para organizações no qual o objetivo é garantir que todos andem na mesma direção, com prioridades claras, em um ritmo constante.

Nesse contexto utilizo como ferramenta para gerenciar o que definimos, sendo os Objetivos ou os sonhos, os Resultados-chave e descendo mais uma camada, as atividades que precisamos executar para atingir esses resultados-chave, como na imagem a seguir:


Um exemplo hipotético que gosto de trazer é sobre as finanças pessoais. Vamos imaginar que neste ano quero atingir um patrimônio de mais de R$ 10 mil, saindo do zero, mas atualmente eu consigo juntar apenas R$ 400 por mês. Se eu juntar R$ 400 por mês, vou ter ao final de um ano o montante de R$ 4.800 reais, não chegando na minha meta de R$ 10 mil.

Porém,  se olharmos para o valor que falta, o qual é R$ 5.200, podemos pensar por algum momento que é inviável. Mas,  como já passamos pela matriz do que sabemos e do que não sabemos, temos em mente o que precisamos fazer para atingir esse valor.

Levando tudo isso em conta, vamos supor que o primeiro resultado-chave seja ter mais uma fonte de renda que nos traga em torno de R$ 350 a mais por mês, mas para isso precisamos executar algumas atividades para que esse objetivo se torne possível. E, vamos supor que para atingir esse resultado, decidimos nos tornar afiliado de uma loja online e vamos fazer R$ 11,66 de lucro por dia durante 30 dias e para isso vamos divulgar em redes sociais e para amigos os produtos desta loja.

Aqui já temos um Resultado-Chave e atividades que vamos precisar executar. Mas você vai dizer: "ainda assim ainda não vamos atingir o objetivo de R$ 10 mil, somando os valores ainda falta o montante de R$  1 mil”.
É exatamente nesse momento que encontramos o segundo resultado-chave: rentabilizar este nosso valor que estamos juntando. Para isso, entre as atividades que precisamos executar estão fazer estudos sobre títulos seguros que nos oferecem rentabilidade de 2% ao mês e fazer aplicações mensais, pois, assim atingimos o valor da imagem:

Portanto, temos um plano de ação para gerenciar a evolução do sonho, quebramos em pequenas tarefas que se tornam tangíveis. É muito mais fácil fazer R$ 11,66 por dia do que pensar no valor de R$ 5.200 que faltavam, com isso temos nosso objetivo e resultados-chave definidos juntamente das atividades que precisamos realizar dia a dia.

Terceiro passo

Havendo um plano bem definido do que precisamos fazer para atingir nosso sonho/objetivo, é necessário saber que tão importante quanto ter um plano é acompanhar e medir mensalmente para entender se está ocorrendo tudo bem.

Dwight D. Eisenhower cita o seguinte: "Os planos são inúteis, mas o planejamento é indispensável".

E o que isso quer dizer? Quando começamos a executar nosso plano, muitas vezes nos deparamos com cenários que não imaginávamos antes, o que pode de fato interferir no caminho que preestabelecemos. Mas agora estamos preparados para agir de forma mais precisa quando as incertezas surgirem, e temos uma visão mais clara e granulada do que precisamos fazer para contornar os desafios e nos adaptarmos à situação.

É assim que assumimos o controle do nosso futuro, escolhendo cada ação que vamos tomar em direção àquilo que queremos, mesmo em momentos difíceis.   Desse modo, as chances de termos sucesso e atingir nossos sonhos/objetivos se tornam tangíveis, entendemos o que queremos, definimos o que vamos fazer e acompanhamos durante todo percurso.

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