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Sobre os Problemas Primários

Problemas primários moldam o core da empresa e revelam outros problemas relevantes para resolver que potencializam mais ainda o posicionamento da empresa

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Empresas servem para resolver problemas que existem no mercado. Um problema, por sua vez, pode ser uma ineficiência, desejo ou necessidade, ou que todo mundo percebe, mas ninguém resolve de maneira plena, ou algo que ninguém detectou ainda… um segredo.

Para tentar resolver esse problema, as empresas criam modelos de negócios que exploram oportunidades com o intuito de criar ou potencializar uma proposta de valor para o mercado e para os consumidores, com o intuito de criar resultados (sejam financeiros ou qualquer outro tipo de resultado positivo) para a empresa.

Aqui na Sympla, chamamos esse tipo de coisa como Problema Primário ou Primordial. Esses problemas primordiais tem principalmente três características:

  • É tão grande e tão complexo, que é possível estruturar modelos de negócios confiáveis e longevos;
  • Deve estar em um mercado grande o suficiente para atingir escala financeira e/ou de pessoas;
  • É possível explorar diversas formas de linhas de receita de forma sustentável;

Geralmente a solução para o problema primário se torna o core, sendo o principal modelo de negócio da empresa. Sendo o core, aquele modelo que realmente sustenta financeiramente a empresa e a coloca em uma posição estratégica no mercado.

The Innovation Ambition Matrix

O core da sua empresa serve basicamente para otimizar serviços e produtos que já existem dentro da sua empresa, em mercados que vocês já atuam, com recursos que vocês já controlam e tem disponíveis. Se usássemos a famosa regra dos 70/20/10, é aqui que a empresa deveria passar ~70% do seu tempo atuando. Mantendo e penetrando mais ainda o negócio no mercado já atuante, criando Moats e liderando as tendências, enquanto 20/10 do tempo tentam coisas novas ou inovadoras.

Há também uma série de riscos que precisamos considerar ao tentar explorar os problemas primordiais para estabelecermos modelos de negócio:

  • A solução pode ser muito complexa;
  • O custo de operação pode exceder os resultados possíveis;
  • Você pode não ter escolhido um problema realmente relevante e primordial;
  • Um concorrente competidor já está atuando e é mais forte nas operações;

Além disso, os problemas primários/primordiais expõe o que podemos chamar de problemas secundários, que também podem ser problemas enormes, mas que só existem se os problemas primordiais existirem também.

Os problemas secundários

Os problemas secundários são derivações do problema primário. Esses problemas secundários, muitas vezes são grandes o suficiente para explorarmos de forma relevante, da mesma maneira que fazemos com os problemas primários, mas eles não são tão essenciais ao negócio. Exemplo: O problema primário que a Netflix resolveu é entregar entretenimento para as pessoas por meio de um serviço de streaming. Um dos problemas secundários da Netflix é a gestão de acervo ou até mesmo recomendação.

Do Miro essencial para PMs

O problema secundário também pode se tornar o que chamamos de Moats de Negócio. Um Moat é aquela defesa ou vantagem competitiva que torna mais difícil que concorrentes ou novos entrantes consigam ameaçar seu negócio. É aquilo que faz a empresa sempre estar à frente, ao mesmo tempo que defende e fortalece seu negócio principal.

Veja o Google, basicamente tudo o que é criado por ele serve para defender e/ou defender seu negócio primário que é publicidade. Ele faz isso de pelo menos duas formas: controle de dados por meio de serviços (muito úteis), na sua grande maioria gratuitos e usando vantagens de economia de escala.

Em produto

O time de produto, que controla um dos canais digitais do serviço que a empresa oferece, deve seguir essas mesmas regras: potencializando e fortalecendo as soluções que resolvem o problema primário, criando estruturas cada vez mais fortes de exploração dos problemas secundários.

Como o produto consegue (ou deveria) se mover de forma paralela e ágil entre solução core e soluções adjacentes/transformacionais, deveria ser comum termos hipóteses e experimentações sendo validadas o tempo inteiro.

Digital product management

Quando falamos sobre discovery, temos a tendência de achar que envolve apenas o estudo e planejamento de uma nova ideia de feature ou jornada, mas na verdade pode envolver algo maior, testando algo que, por exemplo, pode levar a empresa a participar de um novo mercado que ela não estava presente. Na minha opinião, PMs e Líderes de Produto deveriam se preocupar mais com esse tipo de discovery do que com discovery “comum”.

Concluindo

Para citar mais um ponto que o Peter Thiel comenta no livro de Zero a Um: empresas valiosas resolvem problemas que ainda são segredos. Segredos são difíceis de encontrar e principalmente de resolver, mas não são impossíveis, pelo contrário, são totalmente factíveis de serem resolvidos, mantidos e escalados. Fugindo das respostas fáceis, ou seja, das convenções, temos que encontrar os segredos, obviamente, evitando cair na cilada dos mistérios, que é tudo aquilo que seja impossível de ser resolvido.

Nós não solucionamos todos os grandes problemas do mundo. Sendo assim, existem ainda muitas empresas valiosas que serão criadas exatamente para resolver esses grandes problemas, ou melhor, segredos. E nós não conseguimos encontrar segredos se não estivermos procurando-os em todas as partes, sobretudo de forma mais focada no mercado que já atuamos.

Referências:



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