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Se preparando para entrevistas de PM: estudos de caso

Parte importante de um processo seletivo é analisar tecnicamente a candidata

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Comecei a contratar PMs em 2018, o que se mostrou um desafio interessante, principalmente no ponto de avaliar tecnicamente as pessoas. A cada vez que o processo para uma vaga terminava ou fazíamos benchmark com algumas empresas que já enviavam um case antes de nós, conseguíamos identificar diversos pontos de melhorias, o que fez nosso processo evoluir durante o passar dos anos.

Algo que decidimos no segundo ano contratando PMs foi criar um estudo de caso de negócio para enviar em todas as vagas como parte inicial do processo. Fizemos isso porque tomamos a decisão que a habilidade mais importante para o nosso contexto e a nossa maneira de trabalho era análise de dados, e um estudo de caso que demanda a análise de dados nos ajudaria a entender isso com maior grau de confiança.

Dois tipos de casos

Atualmente, a grande maioria das empresas que contratam PMs mandam estudos de caso. O que eu vi até o momento são dois modelos: um caso para resolver em casa com algum prazo, que varia de 3 a 7 dias e um caso que será informado no momento da entrevista e precisa ser resolvido ali na hora.

Geralmente os que são enviados para serem resolvidos em casa, tem uma ou mais massas de dados que precisam ser analisadas para que a pessoa consiga responder as perguntas. Além disso, as perguntas geralmente estão associadas com algum tipo de resultado ou entrega que precisa ser atingido ou feito.

Aqui está um exemplo desse tipo de estudo de caso antigo, que era enviado na Vindi. Adaptei e coloquei algumas explicações no início de cada slide para dar mais clareza de cada parte.

Para os casos que são resolvidos na hora, geralmente não tem uma massa de dados para analisar e sim um problema dado. As pessoas que estão te entrevistando, vão ou falar o problema ou te mandar um PDF para você ler em um prazo de 10 a 15 minutos, tudo ali na hora da entrevista mesmo. No geral não são problemas tão complexos e a dinâmica é entender seu raciocínio lógico e técnico como uma PM.

Em casos desse tipo, geralmente a entrevistadora irá te fazer uma pergunta inicial do tipo: “Imagine que você é PM da Amazon Kindle e você precisa aumentar as vendas de livros para usuários do Kindle. Como você faria isso?". A partir dessa pergunta, dependendo do que você for respondendo, vão sendo feitas outras perguntas para testar seu raciocínio.

Um ponto super importante, o estudo de caso é desclassificatório, ou seja, se você não for bem avaliada, nem será chamada para entrevista que algumas empresas fazem para argumentar sobre o caso.

Outro ponto importante, já vi empresas que aplicam os dois tipos de caso no mesmo processo. Você precisa passar no caso mais analítico para ir para o caso presencial.

O que é avaliado

Em ambos tipos de caso, o que está sendo analisado é se você tem uma capacidade “produteira” ou não. A maneira como você estrutura e organiza um problema e as hipóteses que você gera para resolvê-lo, o que você mede e como você gerencia os riscos, dizem muito sobre você em relação a gestão de produto.

Para o caso que tem uma massa de dados, além de avaliar o seu perfil de produteira, também está sendo avaliado sua capacidade analítica, de encontrar problemas nos dados. Por isso, se você responder errado a pergunta sobre os dados, geralmente você nem será chamada para a entrevista.

Um ponto importante aqui é que as análises geralmente são feitas pelas próprias PMs e líderes de produto, o que pelo o que tenho visto, é um processo consensual. Todos que avaliarem seu caso precisam aprová-lo para que você seja chamada para a entrevista. Aqui entra um pouco de acaso (sorte) no processo. Podem ter PMs com visões bem mais simplistas sobre algumas coisas e outras não. Já vi ótimos casos na minha avaliação sendo reprovados nos processos.

Algumas dicas

Seja uma produteira

Ser produteira significa saber levantar hipóteses, explicar o contexto do seu raciocínio, as métricas de sucesso e os riscos envolvidos. Isso é sempre avaliado nos casos.

Uma estrutura de resposta para a pergunta sobre o Kindle poderia ser:

Hipótese: Sugestões personalizadas no final de cada livro. Métricas de sucesso: Usuárias que compram livros recomendados ao final de cada leitura. Riscos: Usuárias não terminarem os livros, o que faria não ter conversões. Esse risco pode ser diminuído analisando os dados de quantas usuárias terminam os livros e vão até as páginas finais.

Essa estrutura é uma estrutura lógica de uma pessoa produteira. Tudo bem se sua resposta não estiver com essa estrutura, mas certamente respostas bem avaliadas contém esses 3 elementos.

Mostre sua análise de dados

Se o estudo demanda análise de dados, inclua a análise que você fez na resposta do caso. Você pode inclusive enviar o link da planilha que você fez as análises e na sua apresentação apresentar os principais insights levantados.

Dê preferência para gráficos que vão direto ao ponto, isso ajuda muito a pessoa que está avaliando a entender sua análise.

Seja concisa

Esse ponto é muito importante. Além de ser uma habilidade fundamental para uma PM porque demonstra capacidade de comunicação, as pessoas que avaliam o seu estudo geralmente fazem isso na correria do dia a dia.

Ninguém está esperando uma resposta perfeita, até porque falta contexto demais do negócio e dos problemas da empresa. Por isso, seja direta e assuma as premissas que você precisa assumir, as deixando claras na sua apresentação.

Vá direto ao ponto e foque em explicar as suas escolhas e o seu critério de priorização, além dos riscos e como mitigá-los. Não se preocupe em explicar teoria sobre discovery, levantamento de hipóteses e delivery. Quem está analisando já conhece bem a teoria e vai ver que você sabe a partir das suas respostas.

Ficou alguma dúvida? Você pode encontrar os meus contatos em pablosilva.com.br. Ficarei muito feliz em respondê-las!