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Grandes empresas de tecnologia não estão mais “inovando”, e isso não é ruim

Quando uma indústria deixar de ser “adolescente”, nada "novo" mais acontece.

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Em conversas com os seus colegas, você já deve ter escutado alguém falar: “A Apple não inova mais. Os lançamentos são mais do mesmo”. Ou ainda: “A Google está ficando velha, não tem mais capacidade de mudar o mundo”.

De certa maneira, eles (os seus colegas) não estão totalmente errados. Já há um bom tempo, não vemos Google ou Apple lançarem algo de cair o queixo. No entanto, presenciamos melhorias em segurança, eficiência e estabilidade de seus serviços e produtos.  

Pelo andar da carruagem,  a Google não irá lançar tão cedo um novo sistema de busca que vai “mudar para sempre a forma como interagimos com informação”, mas trabalha em otimizar e aumentar a eficiência dos seus produtos. A empresa de busca tem investido muito em AI para incrementar os algoritmos para descoberta de informações e manipulação de dados. O que vemos na imprensa é apenas a ponta do iceberg.

 Da mesma forma, a Apple não vai lançar um novo “iPhone”, mas realiza aprimoramentos (M1 chip) e cria produtos (AirPods Max, por exemplo) em torno do seu “produto chefe” - iPhone.

 Todo esse cenário é positivo pois evidencia que o mercado está alcançando maturidade. Quando uma indústria deixar de ser “adolescente”, nada “novo” mais acontece; mas assistimos a otimizações, melhorias e criação de produtos anexos a todo vapor.

 Como diriam os pesquisadores do projeto Internet Archive, no relatório The 2020 Web Almanac, em relação a web:

 “A Web não é mais uma adolescente. Agora tem 30 anos e age como tal. Ela tende a favorecer a estabilidade em vez de um novo brilho e a legibilidade em vez da complexidade.”

 Outra área que se encontra na mesma dinâmica é a dos smartphones. Nos últimos anos, não surgiram espantosos lançamentos, mas veio à luz muita inovação ao redor do mercado - AR, headphones, sensores,  gestão de contatos. Um movimento não muito diferente do que se deu há 50 anos com os carros. Após atingir certa maturidade, toda a criatividade começou a vir do que poderia ser feito em volta dos carros e não do mercado de carros em si. Foi nesse período que despontaram o “drive-thru” (o Mcdonalds é resultado direto da invenção do automóvel), o conceito de viver longe dos grandes centros e uma mudança na noção de tempo (viajar ficou mais rápido).

O que eu quero dizer com tudo isso: não há motivos para desânimo ou cornetar essas empresas dia e noite. O que estamos vendo é o curso natural de toda inovação/tecnologia/produto.

Google, Apple e os smartphones estão simplesmente em seu ciclo normal (e esperado).