Estratégia de produto: por onde começar

A diferença entre o produto acontecer ou ser projetado

Uma estratégia é criada para tentar fazer com que haja alguma mudança de estado. Em uma empresa, ela é definida geralmente no contexto de crescimento, ou seja, o que vamos precisar atingir para que a gente consiga crescer em X% dentro de um determinado intervalo de tempo.

Sem estratégia, é pouco provável que uma empresa (principalmente aquelas que estão em mercados já altamente predatórios como por exemplo food delivery e banking) cresça e ganhe alta escala.

A função principal da estratégia é garantir que a empresa toda olhe e gaste esforços na mesma direção. Num mercado competitivo, o tempo para aprender está cada vez menor e por isso, concentrar os esforços em poucas direções, é chave fundamental para se tentar o sucesso.

Por isso que estratégia é sinônimo de foco. A estratégia existe para forçar a empresa a fazer escolhas e dar foco nas apostas que ela entende que podem de fato levar a empresa até o próximo estágio de crescimento.

Dito isso, sabemos então que, se uma estratégia de negócio leva foco para a empresa, uma estratégia de produto faz a mesma coisa, mas com o produto. A estratégia de produto existe para que o produto seja projetado e construído mirando atingir um estado específico com ele no futuro.

O começo está em se entender o negócio

Quando falamos sobre o produto ser projetado e construído para atingir um estado específico no futuro, estamos querendo dizer duas coisas:

  • O estado específico no futuro é aquele que a gente acredita que vá de fato trazer crescimento e levar o negócio para mais perto da sua visão (estado da empresa no futuro).
  • Queremos evitar que o produto se transforme num amontoado de funcionalidades que mais o tornam complexo do que geram valor para os usuários.

Esses dois pontos são o cerne para a criação de uma estratégia de produto.

O primeiro ponto nos diz que nossa estratégia de produto, fundamentalmente, precisa estar conectada à estratégia de negócio numa relação de causalidade. Isso significa que se alcançarmos o estado que queremos com o produto, o negócio também deve alcançar o estado de crescimento e ficar mais perto da sua visão. Ou em outras palavras, o produto está de fato sendo o drive de crescimento da empresa e não o acaso.

O segundo ponto nos diz que o produto precisa ser de fato projetado e não "acontecer". Acontecer significa reagir sempre ao curto prazo, através de pedidos dos usuários, stakeholders, diretores e CEO. Ser projetado significa entender bem qual é o público alvo e suas dores e de fato, escolher conscientemente resolver somente aquelas que tem relação com a visão de longo prazo da empresa.

Isso significa, então, que produto é sobre o negócio e não sobre o produto em si. Produto é meio para o negócio atingir os resultados esperados. Para construir uma boa estratégia de produto, é necessário que a empresa tenha visão e estratégia de negócio bem definidos.

É sobre mudança de comportamento do usuário

Bom, agora que sabemos por onde começar, o segundo passo é então definir qual é o estado que o produto precisa atingir no futuro para trazer o resultado que a empresa espera ao mesmo tempo que a leva para mais perto de sua visão.

A forma mais efetiva que eu encontrei nesses anos para definir uma boa estratégia de produto, foi entender quais mudanças de comportamento precisamos gerar nos usuários para que de fato os resultados sejam atingidos. A única maneira que encontrei de gerar tais mudanças de comportamento de forma continuada, foi de fato entregar valor para os usuários. O tal valor, nada mais é do que suprir alguma necessidade ou resolver algum problema do usuário, tal qual ele não consegue resolver ou que resolve mas com muita dor.

Ninguém vai continuar no seu produto no tempo se o produto deixar de entregar valor. Não existe geração de valor sem resolver problemas ou suprir necessidades. Ou você deixa o usuário mais feliz, menos ansioso, mais seguro, mais confiante, menos irritado e mais seja lá o que o usuário espera, ou ele vai embora. Em outras palavras, ou você causa mudança de comportamento ou nada feito.

A estratégia de produto guia as decisões do produto para essas direções, mas num grau mais específico ainda, para resolver as dores dos usuários que se encaixam dentro da visão de longo prazo da empresa. Se a visão tem a intenção de tornar o mundo mais saudável, mas o seu produto faz com que as pessoas fiquem mais ansiosas, a sua estratégia de produto está no caminho errado. Pode sim estar trazendo crescimento, mas não está levando a empresa para mais perto da visão dela.

No final das contas, estamos buscando um equilíbrio entre negócio, produto e necessidades dos usuários.

Não espere ter tudo para começar

Já vimos que precisamos de vários elementos para termos uma estratégia de produto bem sólida. Mas aqui vai um ponto: é muito difícil ter tudo o que precisamos de imediato. Muitas empresas ainda nem tem uma estratégia de negócio bem definida.

Se esse for o seu caso, não espere ter tudo para começar. Você pode amanhã mesmo começar a mapear o que os seus usuários querem ou precisam fazer no dia a dia deles e quais dores eles têm nessa jornada. Mapear essas informações já vai te fazer sair do lugar e até mesmo pode começar a influenciar para evoluir a estratégia de negócio ou mesmo ajudar a criá-la.

No mundo real, fora dos livros, a história é outra. Comece aos poucos, meça, mude a direção se for preciso e assim vá conseguindo visualizar o futuro da empresa e do produto.

Referências

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