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Photo by Hello I'm Nik / Unsplash

Precisamos valorizar mais o processo em produtos, não só o resultado

A caminhada também é importante

1. Há poucos dias recebi a negativa do processo mais difícil da minha vida.

Foram três meses ininterruptos, nos quais passei por quatro fases que eliminaram mais de 74 mil pessoas. Eu estava entre, aproximadamente, as 140 últimas na etapa final. O que me tranquilizou assim que não fui aprovado é que eu sabia exatamente o porquê estava ali, nenhum esforço foi esquecido. Tive coragem e resistência para perceber que o Golden Circle* nesse momento foi muito bem implementado e isso me acalmava. Dei o melhor de mim em todas as etapas, e, em cada uma, senti que era uma final. Infelizmente, não foi o resultado que eu esperava, mas tenho a nítida impressão de que saio melhor do que entrei e, assim, afirmo: precisamos valorizar mais o processo, não só o resultado.

2. O que aprendi?

Entre outras atividades pessoais, trabalho e infinitas distrações, durante esses três meses, o mais interessante é: entendi no processo, como júnior, a transparência de um líder, encontrei pessoas dispostas a me ajudar, reconheci as minhas potências nos pensamentos analítico e pragmático em resolver problemas e, mais que isso, assumi a minha responsabilidade pelos meus próprios erros e acertos. E a liderança é sempre mais atitude do que cargo.

Em todas as etapas, fui um Enzo diferente. Meu desejo continuou sendo o mesmo: impacto com qualidade, orientado a pessoas, mesmo que o resultado não seja visível agora. Só fazemos uma grande equipe com pessoas, com energia e esforço. O resultado vem depois e poucas pessoas entendem isso. Tenho mil “Enzos” dentro de mim. Por isso, o processo é o que realmente importa. É o quanto você realmente entendeu o seu usuário, é o quanto você se alegrou e se entristeceu, na frustração e na adversidade, mirando grandes objetivos. E o mais relevante, apoiado ao meu propósito de vida, é o quanto você permitiu o outro ser sem que ele pudesse ser se você não estivesse ali. É fazer sempre com que o outro tenha o sorriso que não teria se você não estivesse ali.

Na última Retrospective, confessei à minha equipe sobre a negativa. Souberam só nesse momento o que eu fazia em paralelo. Eles me elogiaram por compartilhar e reforçaram sobre quem eu era, avaliando as nuances da minha maturidade, que fará ainda com que eu conquiste muita coisa pela frente.

Entendi tudo ali. É sempre mais como você lida com o processo. É como você vai contar a tua história. É também como você se apoia nos outros. Se você não se encanta consigo mesmo, se você não se orgulha de si durante as coisas que você realiza, não há sentido estar onde você está. E, bem, você vai ter que se aguentar até o último e fatídico dia de vida.

3. Bom, e o que isso quer dizer com produto?

Simples: há muitas equipes que ainda são feature teams. E é difícil desvincular isso. Mesmo que sejamos assim, ou estejamos à procura de sermos product teams, o que eu sugiro é: a cada momento do final da Sprint, precisamos nos encantar pelas razões que nos fizeram estar ali. É sempre o progresso e o retrocesso que fazemos antes mesmo de aplaudir só o OKR que atingimos. Temos infinitos comportamentos dependendo dos dias, das reuniões e das insanas cobranças.

4. Ter o propósito é fundamental.

O meu propósito é o Gambatte. Uma palavra japonesa que significa dar o seu melhor sempre que possível para transformar a vida das pessoas. Senti isso fortemente quando confiaram em mim nesse processo. O que posso dizer é: somos todos um time, uma única empresa, um único Brasil. Pela minha experiência garanto que isso vale ouro.

Sou uma pessoa mais feliz, obrigado por confiarem em mim. É o gesto mais importante do mundo. Por isso, vejo que a confiança muitas vezes requer transparência no processo. Isso não depende somente de mim. Em todos os produtos, isso também depende das pessoas à minha volta.

5. Nunca vou desistir de ninguém.

A pessoa pode desistir de si mesma, eu não posso nunca desistir dela. Já sei o líder que serei, a pessoa de produto que almejo ser. Sempre lembro que, quando estagiava, havia um desenvolvedor que tinha dificuldade de aprender. Jamais desisti dele e fomos juntos em busca do nosso objetivo: melhorar, com calma. O hoje é o ontem só que com mais aprendizado.

6. Para finalizar esse texto

Entendo que, em mim, existe um novo Enzo. Em ciclo vicioso eu quero reforçar: há poucos dias recebi a negativa do processo mais difícil da minha vida. Foi três meses ininterruptos, nos quais passei por quatro fases que eliminaram mais de 74 mil pessoas. Eu estava entre, aproximadamente, as 140 últimas na etapa final. O que me tranquilizou assim que não fui aprovado é que eu sabia exatamente o porquê estava ali, nenhum esforço foi esquecido. Tive coragem e resistência para perceber que o Golden Circle* nesse momento foi muito bem implementado e isso me acalmava. Dei o melhor de mim em todas as etapas, e, em cada uma, senti que era uma final. Infelizmente, não foi o resultado que eu esperava, mas tenho a nítida impressão de que saio melhor do que entrei e, assim, afirmo: precisamos valorizar mais o processo, não só o resultado.

Confesso que ao final de tudo, sorri, chorei, porque valorizei mais o processo, não só o resultado. E, no fim da noite, pedi um lanche no Ifood para me orgulhar do novo Enzo que eu já era. Segui.

* Golden Circle é um conceito criado pelo Simon Sinek e que tem o objetivo de criar e desenvolver o valor de uma nova ideia, negócio.

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