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Photo by Sahand Babali / Unsplash

O Universo Geek e 5 dicas que podem te ajudar na carreira em produtos

O que podemos aprender com deadpool, snorlax e mestre kame

Atenção Geeks: as dicas abaixo trazem aspectos que contribuíram e fomentam o meu desenvolvimento em produto. Não se trata de uma verdade absoluta e pode não fazer sentido pra você. Mas se fizer sentido depois de ler, e quiser conversar mais, pode chamar. Boa leitura!

Contextualizando resumidamente o termo Geek, conforme os dicionários em inglês e português, um Geek é um especialista ou entusiasta em assuntos de tecnologia e cultura pop, como filmes e séries de ficção. Se você sabe tudo sobre dispositivos para ter uma casa inteligente ou curte maratonar Harry Potter e Stranger Things, ou ainda é aquela pessoa que tenta descobrir o final de caverna do dragão - as gerações x e y sorriram aqui -, você é Geek. Não irei me aprofundar sobre o Universo Geek, pois pode acreditar que daria um livro. Até porque o conceito é um pano de fundo para as analogias e dicas que se apresentarão daqui para frente, e são essas as dicas que me ajudam no dia a dia da carreira em produtos. Vamos lá?

1. SEJA MENOS DEADPOOL:

Ponto importante dentro da minha vida em geral, não só da carreira, é ter assumido precisar escutar mais. Sempre fui uma pessoa muito hiperativa, com impulsos constantes e bastante ansiosa, isso fez com que diversas vezes eu falasse bem mais do que prestasse atenção.

Recorrendo aqui aos pressupostos filosóficos de Platão, em “O Mito da Caverna”, de que as ilusões sobre o próprio saber indicam viver na completa ignorância, ou então partindo de conceitos mais contemporâneos, como o efeito Dunning-Kruger do final da década de 90, eu defini uma premissa para o meu dia a dia: ouvir, escutar, prestar atenção, independente de quem estiver falando e a ideia que estiver sendo passada. Isso serve para reuniões de alinhamento, refinamentos, kick-offs e agendas de conhecimento.

Admito que é um desafio diário, assim como o Deadpool, eu costumo falar muito e a escuta ativa ajudou a criar conexões mais sólidas, dado que ouvir com maior atenção deixa as pessoas à vontade, gerando estímulos para mais ideias e soluções aos problemas enfrentados.

2. SEJA MAIS SNORLAX

  1. Conhecer os objetivos de curto e médio prazo da empresa;
  2. Definir a visão e estratégia do produto;
  3. Definir as métricas que irão guiar o seu produto.

Essas são inquietações importantes, que fazem sentido no dia a dia de produto, invista tempo nisso. Percebam que a dica aqui não é sobre em que tarefas investir tempo, mas sim no que não perder tempo. A empresa reestruturou toda política de expansão e irá investir agora em um nicho totalmente diferente do que eu não concordo, na minha posição, eu posso influenciar de algum modo na reversão dessa decisão? Se a resposta for não, direcionar seus esforços para questões que geram valor e impacto no seu dia a dia reduzirão bastante o estresse desnecessário.

Importante, pensar que definir o que está fora do nosso alcance e o que não faz sentido investir tempo e esforço, não é abdicar e ir contra seus valores como profissional, mas sim, compreender que existem decisões em níveis estratégicos que estão acima da nossa capacidade de influência, e isso irá acontecer em algum momento.

Em alguns produtos que trabalhei, me debati com inquietações que não dependiam de mim para serem resolvidas, nem que eu fizesse o maior esforço possível. Eram aspectos que demorariam anos para o mercado absorver ou que já eram definições estruturais da organização. Quando temos preocupações desse modo, é importante avaliar quais são as prioridades do dia a dia, fazer uma autoavaliação do que vale ou não investir tempo.

Afinal, quando temos prioridades definidas não só para o produto, mas também para os debates e inquietações que serão direcionadas à sua energia e o seu esforço mental, conseguimos ganhar muitas horas de sono, assim como o Snorlax.
Mestre Kame  de Leandro de Almeida Ribeiro em  imagens e moldes

3. TENHA SEU PRÓPRIO MESTRE KAME

Quando eu olho para minha carreira e penso nela como uma jornada, percebo claramente como conversas estruturadas e não estruturadas fazem a gente evoluir.  De 2019 em diante procurei pessoas que poderiam contribuir com a minha carreira, recorri a algumas plataformas de mentoria e também me coloquei à disposição para conversar com outros profissionais que estavam iniciando.

Essas conversas e trocas foram aumentando meu poder de entendimento sobre como eram estruturas diferentes da minha, o que era feito em situações similares a que eu estava passando e como eu poderia evoluir em questões diferentes, mesmo sem estar passando de forma prática, visto estar conhecendo opiniões, dicas e situações diferentes da minha realidade.

Como diz o Mestre Kame:  “O treino da mente é tão importante quanto qualquer outro”.

4. SEJA UMA HERMIONE GRANGER

Vocês lembram que na saga de Harry Potter a Hermione era conhecida por ser estudiosa? Então, em produtos costumo dizer que para sermos uma Hermione Granger é preciso consumir conteúdos com frequência. Costumo ler e escutar diferentes fontes de conteúdo: produto, estratégia, marketing, dados, liderança e customer success. Sendo assim, separei algumas fontes de conteúdo que consumo e que acho interessantes do ponto de vista de aprendizado teórico.

Product Oversee: Obviamente que a primeira fonte de conteúdo é o Product Oversee, não só pela qualidade do conteúdo, mas pela democratização do conteúdo do produto. Através da Product Oversee é possível consumir conteúdo de diversos autores com atuações e experiências distintas. O fato de consumir um conteúdo não quer dizer que é aplicável a sua realidade, portanto, conhecer o que está sendo produzido e por autores de diversas empresas e mercados faz sentido na nossa própria curadoria de aprendizagem.

Teresa Torres: Provavelmente vocês devam achar que é uma indicação clichê do mercado de produtos, mas consumir conteúdos da Teresa Torres contribui bastante para ter uma análise especialista do ponto de vista de agilidade e com aplicação de frameworks bastante conhecidos, como a árvore de oportunidades. Dica: nem tudo que você lê é passível de aplicação no seu contexto, então não se frustre, o importante é conhecer os frameworks que possam fazer sentido. Sabe aquela caixa de ferramentas que você compra e nunca usa? Um dia você irá usar, conheça sobre ela.

Perfil do Marco Gomes no Linkedin: Fugindo um pouco da estrutura produteira de frameworks e dicas, o perfil do Marco traz contribuições também no ramo da política e tecnologia. Muitas de suas publicações e conteúdos são repletos de bom humor, ironia e sátira, com muita provocação sobre o universo da tecnologia e a liderança responsável. Quem quer reflexões diárias, vale a pena conferir. Afinal, ser produteiro é atuar com diferentes cenários e frentes todos os dias, o Marco traz bem esses temas.

Eu poderia citar diversas fontes e perfis para seguir, mas a dica é: seja uma Hermione Granger, seja um pesquisador, busque conhecimento e valide conteúdos que façam sentido para o dia a dia da sua carreira. Eu trouxe apenas 3 dicas de fontes, mas costumo acompanhar bastante o Linkedin e o Medium para entender quais os caminhos gestão de produto estão seguindo, o que as pessoas estão falando e publicando. Seja uma Hermione!
Hermione Granger de J.D. Night Ghobhadi em flick.com


5. SENTA QUE LÁ VEM A HISTÓRIA

Ponto importante dentro das atividades de um “produteiro” é saber contar uma história para chegar ao objetivo final, principalmente em alinhamentos com stakeholders. Para a última dica do Universo Geek em produtos, lembro de um quadro ótimo da década de 90 da TV Cultura chamado “Senta que lá vem a história”.

O quadro era muito famoso por sua vinheta inicial e suas estórias que tinham caráter educativo, no início sempre aparecia o personagem principal deitado em um sofá roxo com uma música chiclete (refere-se ao tipo de música que fica gravada na memória e mesmo que a gente queira, não consegue esquecer). Contextualizado o quadro, vamos à dica relacionada com essa menção. E a dica é: Estude Storytelling! Estudar Storytelling foi um divisor de águas na minha carreira, eu detinha as informações, eu estava munido de dados, mas eu não sabia contar a história do problema que precisávamos resolver.

Para comunicar e alinhar com os mais diversos stakeholders, além de conhecer qual o público que se destina aquela história, é preciso saber contar, saber engajar o público e colaborar com o propósito daquele momento e estudo. Por isso, a minha 5ª e última dica do “O Universo Geek e 5 dicas que podem te ajudar na carreira em produtos” é: aprenda storytelling, afinal, não adianta saber o problema e ter as hipóteses validadas se não souber argumentá-lo dentro do processo decisório. Então, “senta que lá vem a história”.

BREVES CONSIDERAÇÕES:


Se você chegou até aqui, quer dizer que não foi tão cansativo assim e está no final deste artigo, e é aqui que faço um fechamento sobre as dicas que foram apresentadas. O ponto principal das analogias é trazer de modo criativo dicas que contribuíram e seguem contribuindo para minha carreira em produtos, logo o alicerce delas é de fato empírico, até porque acredito bastante que a criatividade é uma habilidade interessante a ser praticada no dia a dia do produto.

De toda forma, é importante salientar, como diria meu querido Super Mario em Super 64: “o trabalho do encanador nunca se completa”, porque não é apenas gerir produto, é também gerir expectativas de pessoas, do mercado, de clientes e mais do que isso, gerir suas próprias emoções. E para isso, não esqueçam, nem toda dica é uma dica se não fizer sentido para você!

Super Mario World de Jorge Santos produzida após jogar em um dia aleatório

Referências

  • Efeito Dunning Kruger. Disponível em Revista Super Interessante.
  • O mito da Caverna. Platão. Acredita-se que esta obra foi escrita entre 380 e 370 a.C. Edipro, 2015.
  • Termo Geek. Dicionário Michaelis.

Senta que lá vem a história. Disponível em Tecmundo.

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