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# Times fornecedores (ou terceiros) de produto: como lidar?
- URL: https://productoversee.com/blog/times-terceirizados-de-produto-como-lidar/
- Published: 2023-02-23T10:45:52.000Z
- Updated: 2023-02-23T10:46:11.000Z
- Description: A contratação de uma software house ou até mesmo de PMs de empresas terceiras pode estremecer as relações entre contratante e contratado.
- Author: Tiago Ferreira
- Tags: Desenvolvimento, #blog

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Embora muitos livros e artigos sobre produtos digitais mencionem a importância de times empoderados, a realidade costuma ser um pouco diferente. Em busca de viabilizar a transformação digital ou até mesmo impulsionar a área de Tecnologia como um todo, muitas empresas optam pela contratação de *software houses* para montar seus primeiros times.

O roteiro de muitas empresas é semelhante: contratam uma empresa terceira, com o objetivo de contar com a expertise de tecnologia a fim de acelerar a transformação digital. De início, o percentual de profissionais de tecnologia terceirizados tende a ser alto. À medida que a empresa vai ganhando maturidade, lançando produtos e, enfim, trazendo melhores resultados com a tecnologia como *meio*, a tendência é diminuir a quantidade de profissionais terceirizados, muitas vezes absorvendo a contratação de alguns deles.

O modelo de *outsourcing* em tecnologia está presente em diversos times de produto. Inclusive, tem-se popularizado o modelo de *squad as a service*, em que empresas entendem a necessidade de negócio para conectar um time inteiro dedicado à resolução do problema.

Seja como for, é importante ressaltar que lidar com times terceiros apresenta alguns desafios.

## Você não faz gestão direta dos times

Como Product Manager, você não faz gestão direta das pessoas do time. Quando se trata de atuar com terceiros, essa ênfase é ainda maior.

Isso porque essa relação costuma se dar da seguinte maneira: muitas *software houses* orientam os colaboradores que vão atuar no projeto a entregarem o que o cliente precisa. E o PM, muitas vezes, é o principal representante da empresa contratante - afinal, ele conduz as cerimônias do time e responde para a devida entrega do produto.

Nessa dinâmica, o time terceiro vê o PM como o principal ponto de contato com a empresa que o contratou, evitando conflitos diretos ou qualquer tipo de desconforto que possa colocar o contrato em risco.

Existem diversos aspectos negativos dessa relação, e a principal delas é a autonomia para que os profissionais terceiros proponham divergência nas discussões.

Imagine que você, como PM, esteja conduzindo um refinamento a partir de uma *user story* incompleta. O time terceirizado participa e ajuda a fazer as pontuações. Um dos desenvolvedores, porém, acredita que este não é o melhor caminho a ser seguido, mas, sabendo que existe pressão de *stakeholders* para trabalhar com esta atividade, o PM tenta pressionar para que a atividade seja desenvolvida conforme proposto inicialmente.

Diante dessa investida, tanto o desenvolvedor como o time terceiro como um todo podem ficar acuados e irão seguir com o desenvolvimento da mesma forma.

O resultado pode não ser dos melhores: o time pode demorar mais para entregar o desejado e, pior, não se sentirá confortável para propor debates.

Proponha um ambiente de colaboração mútua entre os times, estimulando o debate em prol do que pode ser feito de melhor e mais efetivo em benefício do produto. Se necessário, conte com o apoio do Tech Lead (que geralmente é o profissional de referência para os times terceiros) e do [Agilista](https://productoversee.com/pms-e-agilistas-dicas-para-melhorar-a-relacao/) (que cumpre o papel de facilitador para melhor saúde do time em benefício da empresa).

## Cuidado com feedbacks e 1:1s

Quando trabalhamos no dia a dia com desenvolvedores, Tech Leads e outros profissionais da nossa empresa, muitas vezes criamos uma [cultura de *feedbacks*](https://productoversee.com/o-mito-de-que-as-pessoas-precisam-de-feedback-e-a-funcao-primordial-de-um-lider/) \- seja ao enaltecer entregas, compartilhando dores em comum ou até mesmo na hora de enfrentar algum tipo de conflito entre os integrantes do time.

Ao lidar com terceiros, porém, *feedback* direto vindo da parte do gestor em um 1:1 pode ser caracterizado como relação de trabalho, que fere os preceitos da relação cliente-fornecedor.

Caso tenha dúvidas sobre como se relacionar com um time terceiro, converse com o seu gestor e com a área de *compliance* da sua empresa. A falta de clareza nessa relação faz com que muitos times tenham relações disfuncionais: uns acabam dificultando a colaboração no time, enquanto outros se põem como gestores diretos.

Importante frisar: na relação com terceiros geralmente existe um responsável pela conta, que acompanha o trabalho dos profissionais. O *feedback* aos terceiros deve ser levado na conversa com esse responsável, que vai filtrar e direcionar às pessoas desenvolvedoras (contratadas pela *software house* e que integram o time) da melhor forma.

Crie uma frequência para conversar com o responsável pelos terceiros, sendo transparente ao mencionar cada profissional. É importante ter o Tech Lead e o Agilista como aliados nessas trocas. Se necessário, façam um alinhamento antes de conversar com o responsável pela conta, para unificar a compreensão de como cada profissional contribui para o time.

## E quando o PM é um terceiro?

Existem casos de empresas que contratam um time inteiro, ou até mesmo optam por ter um Product Owner ou Product Manager de uma empresa terceira.

Geralmente isso acontece quando a empresa não possui a expertise de times de produto e tecnologia.

Enquanto PM, como terceiro, é preciso alinhar muito bem com o seu contratante qual o seu objetivo. Se ficar muito bem alinhado que este profissional está lá para impulsionar o negócio do contratante, alguns combinados devem ser feitos previamente.

Por exemplo: como o produto que este PM terceiro atua vai impactar na métrica de negócio do contratante? Como fazer esse acompanhamento?

Autonomia tende a ser um fator complicado nesse contexto. Algumas empresas contratantes costumam acompanhar o trabalho de perto e definem previamente, sem a colaboração do PM, qual objetivo a ser atingido. Isso costuma ser bastante comum.

Porém, a situação inversa também pode acontecer: a empresa contratante, sem domínio de como times multidisciplinares funcionam, dá plena autonomia para que a empresa contratante defina o trabalho do PM.

Nesse tipo de situação, vale a pena lembrar o que Michael Porter, famoso professor de estratégia empresarial da Harvard Business Review, nos ensina:

> *“Os fornecedores que são fortes e dominantes podem impor condições desfavoráveis ​​às empresas, enquanto os fornecedores fracos e dependentes podem ser vulneráveis ​​à pressão das empresas” (via ChatGPT).*

Traduzindo: empresas que optam por dar autonomia demais aos fornecedores (terceiros) podem sofrer com algum tipo de descompasso entre os objetivos do contratante e do contratado. Alguns PMs, trabalhando para a empresa, podem estar mais preocupados em garantir a extensão do contrato do que em gerar valor para a empresa contratante.

E os terceiros com baixa autonomia se tornam suscetíveis a *top downs* e alta quantidade de demandas, com pouco espaço para contra-argumentação e para a mútua colaboração.

Atingir o equilíbrio nessa relação pode ser um processo de médio a longo prazo. Para muitas companhias, a contratação de terceiros é o meio necessário para capacitação de times de tecnologia na própria empresa. Algumas delas até podem estender seus contratos por muitos anos com *software houses* por motivos variados, mas tenha em mente que muitas delas também podem absorver os profissionais para dentro do negócio ao longo da ‘relação’.

Durante esse processo, porém, é importante ter clareza sobre o papel e a contribuição esperada de cada um, para evitar frustrações ou até mesmo a fuga de profissionais da empresa contratante e da empresa terceirizada.

## Referências

- [Software house: conceito, como funcionam e como criar uma (uMov.me)](https://www.umov.me/o-que-e-software-house/?ref=productoversee.com)
- [Squad as a service: o que é, como funciona e quando optar? (Supero)](https://www.supero.com.br/blog/squads-as-a-service/?ref=productoversee.com)
- [The Five Competitive Forces That Shape Strategy (Michael Porter / Harvard Business Review)](https://hbr.org/2008/01/the-five-competitive-forces-that-shape-strategy?ref=productoversee.com)