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# Detetives de Produto, temos?
- URL: https://productoversee.com/blog/detetives-de-produto-temos/
- Published: 2023-01-31T10:45:42.000Z
- Updated: 2023-01-31T10:45:58.000Z
- Description: O papel da pesquisa com usuário como um direcionador para as decisões de produto.
- Author: Gisele Marques
- Tags: Mercado, #blog, Opinião, Carreira

Uma das metodologias mais conhecidas para “pensar produto” é o [*Double Diamond*](https://www.designcouncil.org.uk/our-work/news-opinion/double-diamond-universally-accepted-depiction-design-process/?ref=productoversee.com) (“Diamante Duplo”), oriunda de um acordo amigável com o [*Design Thinking*](https://www.nngroup.com/articles/design-thinking-practitioners-say/?ref=productoversee.com) *(*“Pensamento de design”*)*. Tal diagrama divide o processo em 4 etapas principais: **descobrir, definir, desenvolver e entregar**.

Independente da etapa, a aplicação de pesquisa com o usuário se faz essencial em cada uma das 4 fases. Pesquisa com usuário provê suporte para identificar dores, validar ou invalidar hipótese, apontar direcionamentos e embasar decisões.

Neste texto, contei com a colaboração da [**Keila Almeida**](https://www.linkedin.com/in/keila-almeida/?ref=productoversee.com), **Analista de Pesquisa e Desenvolvimento** na Accenture Brasil, para nos ajudar na investigação sobre a importância de envolver as pessoas usuárias no processo para criação e desenvolvimento de produtos.

Leitores e leitoras, ou melhor, detetives de produto a postos?   

### 1\. Quando pesquisas com usuários são necessárias para a criação e sustentação de um produto?

**\[Keila\]**: A pesquisa com usuários é sempre necessária, é um processo contínuo. Porém, em cada etapa terá um objetivo específico. Por exemplo: podemos citar as mensagens que alguns APPs costumam mostrar na tela durante um determinado erro, questionando ao usuário se queremos informar o problema. Neste caso, toda a fase de desenvolvimento já passou e o produto está funcional, entretanto, ainda assim o usuário relata como está sendo sua experiência. E a coleta de erros para melhorias é uma pesquisa.   

## 2\. Em termos gerais, o que se espera obter com a pesquisa de usuário?

**\[Keila\]:** O objetivo da pesquisa é a construção do conhecimento. Acreditamos que um produto é viável, efetuamos as pesquisas para entendermos se, de fato, é verdade e não apenas crença; se for verdade, então, adquirimos o conhecimento necessário para iniciar o desenvolvimento. Nas demais fases a pesquisa pode servir para colaborar, reproduzir, refutar, ampliar, detalhar, atualizar algum conhecimento pré-existente e necessário naquela etapa.   

## 3\. Na teoria, empenhar tempo e esforço para pesquisa com usuário no início do processo (independentemente do método adotado) é o movimento mais assertivo antes de cogitar desenvolver uma solução. E, na prática, dedicar tempo para conhecer o problema é considerado um investimento que se paga?

**\[Keila\]:** Depende muito da maturidade do produto, seus recursos e, principalmente, é preciso tomar cuidado para não perder o *timing* (“tempo”), isto é, o momento de partir para a ação. O que quero dizer é que quando não há um produto, mas apenas a ideia dele, quanto mais tempo se gasta em pesquisas, maiores são os riscos de que o produto se torne um prejuízo; não é atoa que o mercado busca metodologias cada vez mais eficazes para que um produto seja desenvolvido em tempo recorde.  

## 4\. Como definir qual tipologia de pesquisa com usuário mais coerente para cada objetivo?

\[Keila\]: O primeiro ponto a considerar é em que fase está o produto, um produto novo demanda pesquisas exploratórias, pois nesta fase estamos construindo hipóteses, isto é, supomos haver um problema, para validar ou refutar pesquisamos e exploramos toda informação existente necessária, e nessa etapa entram outras metodologias, por exemplo, a pesquisa bibliográfica, onde reunimos o que se tem sobre tema pesquisado, coleta de dados que é uma técnica da pesquisa descritiva. Sempre haverá um ou mais tipos envolvidos, a fase em que está o produto é um dos pontos de partida, em seguida vem o objetivo, e aqui posso citar como exemplo, produtos já disponíveis como softwares e apps, que quando ocorrem erros em nossos dispositivos, aparece para nós a opção de encerrar o programa ou relatar o erro, enxergo essa metodologia como pesquisas aplicada, cujo objetivo é de adquirir novos conhecimentos para o desenvolvimento ou aprimoramento de produtos, processos e sistemas.  

## 5\. Como são definidos prazos e número de respostas desejadas para uma pesquisa com o usuário?

**\[Keila\]:** Na minha opinião, estas definições devem ser orientadas segundo o teste, e não vejo muito dessa preocupação na hora de estruturar uma pesquisa. A maioria das pesquisas, para validar hipóteses, não se preocupam em pensar em como elas serão testadas depois. Por isso, muitas vezes a fase de teste se dificulta ou até invalida uma hipótese por falta de informações necessárias para fazê-lo. Imagina um cenário, onde uma empresa precisa saber se, em determinada região, as pessoas gostam mais de tênis verdes ou azuis. E todo dia útil às 13 horas o pesquisador se posiciona na entrada de um shopping e pede a opinião das pessoas, além de olhar quantas pessoas entram e saem com tênis nestas cores. Se a pesquisa girar apenas em torno das cores, não atende os critérios. Por exemplo, qual a idade dos respondentes, eles têm poder de compra? Afinal, às 13h de um dia útil, pessoas adultas e com poder aquisitivo estão trabalhando. Qual tamanho os respondentes calçam? Os tênis são de tecidos ou outro material?, etc.  
Por que isso é importante? Após saber a cor, ao distribuir tênis incompatíveis com o tamanho, com o poder aquisitivo e tipo de tecido mais usados pelos respondentes, certamente as vendas do produto não acontecerão. Vejo pesquisas muito focadas em coletar números, respostas fechadas, que acabam desconsiderando contextos importantes.   

## 6\. Não “contaminar” a opinião da pessoa respondente com a opinião da pessoa pesquisadora deve ser uma preocupação constante na formulação de pesquisas com o usuário. Podem trazer dicas sobre como desenhar uma pesquisa de forma neutra, sem influenciar o usuário?

**\[Keila\]:** O ideal seria chamar o usuário para um bate-papo e introduzir as perguntas fechadas no momento oportuno um bom exemplo de como funcionaria esse modelo é o programa “De frente com Gabi”, e para você que não tem pelo menos, 35 anos, pode considerar como exemplo o programa do nosso querido Jô Soares. Não teremos a sorte de uma gravação para rever e documentar, então nesta etapa seria importante mais dois entrevistadores presentes, para documentação, ou o uso de tecnologias de gravação, para consulta e documentação posterior.   

## 7\. Jacob Nielsen, um dos fundadores do Grupo Nielsen Norman disse: “[Para projetar a melhor experiência para usuários é necessário prestar atenção no que os usuários fazem, não que dizem](https://www.nngroup.com/articles/first-rule-of-usability-dont-listen-to-users/?ref=productoversee.com).” O que você pensa sobre esta perspectiva?

**\[Keila\]:** Acho que é a colocação perfeita. Tive uma experiência de entrevista com um usuário, onde ao perguntar para ele como se sentia com a falta de acessibilidade, o mesmo disse que não tinha problemas, que sempre se virou e que fazia de tudo para que tivesse a tecnologia assistiva disponível quando precisasse. Então, eu refiz a pergunta da seguinte maneira: o que você faz quando se vira? Nas respostas, pude identificar, que a falta de acessibilidade causava fadiga e estresse, que o mesmo não conhecia nenhuma outra tecnologia assistiva além da que utilizava, e que um dos principais problemas da tecnologia assistiva que ele utilizava, era a duração, que não acompanhava a rotina longa do usuário.  

## 8\. Qual a relevância da pauta Diversidade & Inclusão nas pesquisas com o usuário para determinado Produto?

**\[Keila\]:** Não tem forma curta de responder essa pergunta, mas tentarei. Podemos considerar a importância quando olhamos para o movimento “se não me vejo não compro”, que começou em 2013 com bonecas negras para crianças negras e criou um movimento gigantesco dos grupos minorizados, que cresce cada vez mais; e observamos cada vez mais as marcas se posicionarem e trazerem representantes dos recortes de diversidade em suas publicidades; até o fato de considerar, lá naquela pesquisa que citei como exemplo, se a pessoa que gosta de determinada cor de tênis, possui os dois pés, se um dos pés é prótese, se é daltônica e não sabe, pois o distúrbio afeta 8% da população, dentre outros fatores.  

## 9\. Quais medidas mínimas de acessibilidade devem ser tomadas na formulação e aplicação de pesquisas com usuário?

\[Keila\]: Depende do formato e da necessidade do usuário, mas um bom direcionador, para qualquer formato que o usuário terá autonomia para responder, podem seguir as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG). Cada País, estado e município, podem ter exigências diferentes, em SP o nível exigido é o AA, isto é, após validação, o conteúdo neste nível é acessível à maioria das pessoas, na maioria das situações e usando a maioria das tecnologias.  

## 10\. Na opinião de vocês, qual seria a principal diferença de resultado entre um produto concebido com e sem embasamento de pesquisas com usuário?

**\[Keila\]:** Acredito que produtos concebidos com pesquisa tem chances de serem inovadores, enquanto um produto sem pesquisa tende a ser mais um similar; no entanto, o contrário também é possível. Visto que a pesquisa pode identificar que um similar tem mais chances de atender a necessidade do usuário que um produto novo, os supermercados são um lugar onde encontramos bons exemplos disso; e sem nenhuma pesquisa o “fracasso” de lançamento pode trazer oportunidades como o caso do WhatsApp que, até hoje, faz sucesso no Brasil e não fez nos EUA. Lá SMS era gratuito, então o nosso querido “Zap”, era apenas um similar porém, no Brasil era uma inovação, ele era o único meio de enviar um volume alto de mensagens de texto mais baratas, visto que a tarifa de tráfego de dados era menor que a tarifa de SMS.

## Fechou

E assim concluímos essa *pseudo* entrevista com a ***Rainha*** (apelido que criei pra Keila, tamanho tem sido nosso apoio mútuo na vida e no trabalho), obrigada por mais essa parceria e troca de conhecimento. 

Dessa conversa, podemos concluir que a **Pesquisa com usuário** pode ser utilizada em qualquer ponto no ciclo de criação ou manutenção de um produto. Independente do modelo escolhido, pesquisas são uma fonte de insumo preciosa para compreensão, investigação e materialização de uma ideia. Mas, antes de se apressar para montar um formulário ou teste A/B, reflita sobre os objetivos que se pretende alcançar e depois, monte um plano de pesquisa. Afinal, esta ferramenta tem potencial de influenciar diretamente o sucesso ou fracasso de um produto. 

## Referências

- [The Double Diamond: A universally accepted depiction of the design process](https://www.designcouncil.org.uk/our-work/news-opinion/double-diamond-universally-accepted-depiction-design-process/?ref=productoversee.com)
- [What Is Design Thinking, Really? (What Practitioners Say)](https://www.nngroup.com/articles/design-thinking-practitioners-say/?ref=productoversee.com)
- [First rule of usability? Don’t listen to users](https://www.nngroup.com/articles/first-rule-of-usability-dont-listen-to-users/?ref=productoversee.com)
- [Teste de usabilidade: o que é e para que serve?](https://brasil.uxdesign.cc/teste-de-usabilidade-o-que-%C3%A9-e-para-que-serve-de3622e4298b?ref=productoversee.com)
- [When to use which user-experience research methods](https://www.nngroup.com/articles/which-ux-research-methods/?ref=productoversee.com)