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# Como podemos criar métricas e indicadores de produto baseados em eventos?
- URL: https://productoversee.com/blog/como-podemos-criar-metricas-e-indicadores-de-produto-baseados-em-eventos/
- Published: 2022-05-06T10:45:00.000Z
- Updated: 2022-05-06T13:15:51.000Z
- Description: Medir é a última etapa do processo em que ligamos as análises dos resultados de um produto com a estratégia de negócio.
- Author: Arthur Martinho
- Tags: Indicadores e Dados, #blog

No último artigo [O que são eventos de interação de usuários](https://productoversee.com/o-que-sao-eventos-de-interacao-de-usuarios/), passamos por alguns conceitos básicos de product analytics. Dando um passo além, a ideia agora é entender como **transformar essas informações em métricas e indicadores** que façam sentido para seu produto.

Durante o dia a dia, é comum esbarrar pelo questionamento de o que e como medir para tomar uma decisão ou entender como o seu produto está performando. Mas o segmento do seu produto, a proposta de valor, o mercado em que atua e diversos outros fatores podem e vão afetar diretamente quais métricas você observará e, principalmente, o grau de importância que será dado para cada uma delas durante seus processos de decisão e análise.

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## O que são métricas e indicadores

No artigo [Métricas, indicadores e comportamento do usuário - Parte 1](https://productoversee.com/metricas-indicadores-e-comportamento-do-usuario-parte-1/) o Diego Eis explica super bem o que é uma métrica e (spoiler) o que difere ela de um indicador.

Resumidamente, uma métrica é a consequência de uma ação do usuário no produto que pode ser metrificada, como:

- Usuário acessou página XPTO;
- Assinou o serviço ABCD;
- Usou a feature 123.

Os indicadores são conjuntos de métricas que dão indícios de como está a performance do produto em algum aspecto, como:

- Churn;
- LTV/CAC;
- Retenção.

Nesse artigo vamos linkar esse conteúdo com os *eventos de interação de usuários*.

## O primeiro passo não tem nada a ver com métricas

No dia a dia de produto, precisamos alternar entre diversos mindsets: em alguns momentos estamos focando em dados, em outros em conectar a estratégia de negócio com o produto, em outros focando em entrevistas com usuários e análises de mercado. E cada momento desse pode pedir inputs de dados diferentes no seu processo de decisão. 

Com isso em mente, antes de perguntar “O que eu quero medir no produto?”, é importante **entender em qual situação as suas análises vão se encaixar**. Pensar em dados de produto <> negócios pode ser bem diferente de como pensar em dados para entender como os usuários estão usando seu produto. 

O ideal é que todos esses dados dialoguem no final das contas, mas reforçando, são momentos e categorias de análises diferentes.

## Então começo por onde?

Antes de pensar em qualquer indicador ou métrica para seu produto, independente se é a primeira vez que seu time está trabalhando com dados ou se você já está acostumado com isso no dia a dia, você precisa de algumas respostas:

- **Quais os objetivos da companhia no momento?**
- **Como o produto ajuda a alcançar esse objetivo da companhia?**
- **Por que eu preciso medir isso?**

Com isso em mente, seus objetivos e motivadores (os **porquês** bem definidos) e a sua incerteza de **como** e **o que** medir fica muito menor.

Alguns objetivos e motivadores comuns são:

- Definir a estratégia de produto;
- Melhorar a aquisição de novos usuários / ROI;
- Otimizar conversão;
- Melhorar engajamento no produto / Stickiness;
- Melhorar retenção no produto / LTV;
- Aumentar GMV da empresa.

Entendendo tudo isso, vamos considerar que seu momento é focar em **melhorar engajamento no produto**. Vamos definir agora os **KPIs** do seu produto relacionados à **retenção**.

Digamos que seus KPIs sejam:

- Stickiness (DAU/MAU);
- Retenção de novos usuários na primeira semana.

Eles podem ser analisados de 2 maneiras:

- Performance de todo o produto: como todo o conjunto de features e interações no produto impactam na retenção dos usuários;
- Performance em uma parte do produto: como os usuários se relacionam com as features/partes do produto que você é responsável.

**Definir isso é fundamental para darmos os primeiros passos.**

## Beleza, já entendi os meus objetivos e o que vou medir, mas como eu faço isso?

Agora é entender a jornada do seu usuário dentro do seu produto (ou parte do produto que você é responsável) tendo sempre em mente os **seus objetivos com essa análise**.

A partir daqui já começamos a usar os **eventos de interação** para nossas análises. Normalmente temos 3 tipos básicos de classificações para isso:

- **Event Counters**: quantos eventos foram performados pelos usuários dentro de um determinado intervalo de tempo (diário, semanal, mensal...).

Aqui podemos olhar para dados como DAU e MAU (usuários que performaram o evento X pelo menos uma vez no intervalo Y de tempo), total de assinaturas, total de músicas ouvidas ou várias outras ações variam de acordo com qual é seu produto.

- **Funil / Conversões**: a visibilidade de funil permite que a gente analise pontos de dor do produto ou do usuário em determinada jornada.

Se pensarmos num fluxo de:

Entrar no app → Acessar o perfil → Clicar em editar imagem de perfil → Salvar foto.

Imagina que nesse funil (formado por eventos individuais em cada etapa) você percebe que da penúltima para a última etapa você tem uma taxa de conversão de 25% - ou seja - dos usuários que clicam em editar a imagem do perfil, só 25% deles concluem a operação. Seu papel é entender o porquê disso acontecer e o que está acontecendo para essa taxa ser baixa.

- **Análises de comportamento**: aqui é a parte mais interessante das análises (a ideia é entender como a interação com certos eventos impacta no comportamento do usuário em outras partes do produto).

Um exemplo pode ser de que novos usuários que engajam com a feature XPTO têm maiores chances de se converter em usuários assinantes - você não precisa atuar diretamente em conversão para poder impactar as métricas desse lado com as suas partes do produto.

## Como eu ligo os pontos?

Lembrando que no nosso cenário hipotético seus KPIs são:

- ****Stickiness (MAU/DAU);**

![](https://lh3.googleusercontent.com/7FiBB1KhH6isKoXp1opnrppI1KiicJRgJ9OSZdva7fe_oHOPQL5cgaeJJaRJTsu61vJQK0OSPLe74ht-HIwEyK5xg0jH5Mi5znRmkH1T_moJO_jubHoO2ynJSbVhn8Ya2_MQVA1t3citvPpK0Q)

- ****Retenção de novos usuários na primeira semana.**

![](https://lh6.googleusercontent.com/YzBhb8k0F0acPjWLxbsnrJKg4-T_Se2bAcYQ-1-boMWu64TJahIHs_BZdsWX3BlaUegQ3Q7dKAUUUXU9KaQtopt22_f2B0odPbtKw3I5vleIw13hdlyYPXeVwxzNZY08rWjWIQ6DeJTG2G4boA)

Começamos com as análises em 2 cohorts (de maneira simplificada, 2 grupos de usuários):

- Novos usuários;
- Todos os usuários ativos.

Analisaremos primeiro o seu **KPI de Stickiness** \- pra isso, usaremos os conceitos mencionados acima:

- **Event counters**: vão ser a base das métricas de DAU e MAU (basicamente o número de usuários únicos que performaram o evento XPTO dentro do espaço de tempo de um dia e os que performaram dentro de um mês. Com isso você consegue calcular seu % de stickiness);
- **Análises de comportamento**: dentro desse grupo, há diferenças de stickiness entre quantas vezes os usuários performaram o evento XPTO? Imagina que em um cenário, dentro desse mesmo indicador, separamos os usuários em 2 grupos (um que performou pelo menos 1 vez o evento em cada timestamp e outro que performou pelo menos 5 vezes ao mesmo tempo).

Quanto isso muda seu percentual de stickiness? Se a diferença for que performar mais vezes o evento XPTO resulta em mais stickiness, isso pode ser uma orientação inicial de como seu produto (ou parte dele) pode impactar nesse KPI.

Agora pensando no **KPI de Retenção de novos usuários na primeira semana**:

- **Funil / Conversões**: se estamos olhando para o grupo de novos usuários, podemos pensar em um funil simplificado como:

Usuário finalizou cadastro → Performou X ações → Voltou na semana seguinte para performar mais ações.

- **Análises de comportamento**: aqui a ideia é a mesma do KPI anterior (como a relação com os eventos de interação com o produto impactam no usuário voltar na semana seguinte?).

## Para finalizar

É importante entender que os objetivos de negócio **sempre** devem guiar as suas análises. Sem isso podemos conduzir infinitas análises e tomarmos infinitas decisões baseadas nessas leituras, mas sem estarmos corretamente alinhados com a estratégia, não estaremos trazendo **resultados para o produto e para a companhia**.

## Referências  

- [What is Product Management Analytics](https://mixpanel.com/blog/what-is-product-management-analytics/?ref=productoversee.com)
- [Can We Make Better Decisions Using Product Instrumentation?](https://www.theproductfolks.com/blog/can-we-make-better-decisions-using-product-instrumentation?ref=productoversee.com)
- [Picking the Right Product Metrics to Track and Optimize - Heap](https://heap.io/topics/product-metrics-kpis?ref=productoversee.com)