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# 7 insights sobre o Clubhouse
- URL: https://productoversee.com/blog/7-insights-sobre-o-clubhouse/
- Published: 2021-04-02T05:44:00.000Z
- Updated: 2022-05-27T00:28:39.000Z
- Description: Aplicativo chegou no lugar certo e na hora certa
- Author: Tiago Dória
- Tags: Mercado, #blog, Opinião

Diego Eis, vizinho aqui no Product Oversee, já comentou sobre o [Clubhouse](https://www.joinclubhouse.com/?ref=productoversee.com) em seu [blog](https://diegoeis.com/sobre-o-clubhouse-anotacao/?ref=productoversee.com). Tenho feito algumas anotações sobre o badalado aplicativo de áudio e decidi compartilhá-las com vocês.

Para quem está por fora do assunto: Clubhouse é um aplicativo que funciona somente por convite e no qual é possível criar e participar de salas de chat baseadas em áudio.

Vamos a alguns insights:

**1)** O Clubhouse parece ser muito mais um competidor para eventos online e presenciais do que para outras plataformas de áudio tal como o Spotify (que está tentando se tornar um [hub de podcasts](https://www.joinclubhouse.com/?ref=productoversee.com)). Para que eu vou pagar para assistir a uma palestra online/presencial quando profissionais como Marc Andreessen, Elon Musk e Oprah estão falando de graça no Clubhouse, ambiente mais interativo e informal?

Se eu fosse palestrante profissional, olharia com mais atenção para o Clubhouse.

**2)** O Clubhouse se encontra mais na “[cauda longa](https://pt.wikipedia.org/wiki/Cauda%5Flonga?ref=productoversee.com)” do que no topo da curva. É aquele conteúdo que, a rigor, não vai num podcast (o qual normalmente demanda toda uma produção), mas que não se joga fora. É mais ou menos como a relação YouTube vs Tiktok. No [TikTok](https://www.tiktok.com/?ref=productoversee.com), você publica aquele vídeo espontâneo que não necessita de muita elaboração e produção. Parece ser a mesma lógica com o Clubhouse.

**3)** A criação de produtos digitais tem se deslocado dos EUA para outros países (já comentei isso [aqui](https://productoversee.com/a-internet-de-referencias-gringas-esta-morrendo/)). E o Clubhouse é mais um exemplo desse novo panorama: o aplicativo surgiu nos EUA, entretanto o core de sua [infraestrutura vem de uma empresa chinesa](https://www.scmp.com/tech/start-ups/article/3120259/agora-chinese-company-powering-clubhouse-sees-stocks-soar-investors?ref=productoversee.com).

**4)** O Clubhouse evidencia como o tempo é importante numa startup. Em minha modesta opinião, trata-se de algo mais relevante que investimento, equipe e visão. Tempo é uma faca de dois gumes no universo das startups. Pode ser seu aliado – se você entrar no mercado no momento certo – ou seu inimigo – se, ao contrário, você demorar para ingressar no mercado. Aplicativos que usam áudio como forma de agregar pessoas não são propriamente novidades. Em 2008, foi lançado o [Gengibre](https://www.tiagodoria.com.br/blog/2008/10/10/gengibre-para-fazer-posts-de-voz/?ref=productoversee.com), desenvolvido por Cazé Peçanha e Rodolfo Sikora, empreendedores da chamada Web 2.0 no Brasil.

No entanto, o Clubhouse chegou na certa, em abril de 2020, quando muitas pessoas estavam trancadas em casa por causa da pandemia, procurando algo para fazer e por “backgrounds” para “cortar” o som de suas casas - criança chorando, cachorro latindo, máquina de café apitando.

**5)** As pessoas que utilizam o Clubhouse poderão ter o mesmo problema das que desejem, hoje em dia, criar uma audiência usando newsletters, YouTube ou blogs. Os primeiros a usar esse tipo de plataforma facilmente conseguem criar uma audiência ante um cenário de escassez de criadores e demanda pelos consumidores. No entanto, os últimos a chegar acabam enfrentando uma dificuldade tremenda em realizar o mesmo. Tente lançar uma nova newsletter hoje em dia. Certamente terá problemas para gerar público, pois o mercado já está quase que saturado. Ser o “first mover” é muito importante quando o assunto é publicação de conteúdo na internet. Em suma: agora é o momento ideal para entrar no Clubhouse. Caso contrário, você seguramente dependerá no futuro dos algoritmos do aplicativo para ser descoberto, o que naturalmente será um empecilho. Até hoje, nenhuma plataforma de rede social criou um algoritmo de descoberta realmente eficiente. O Tiktok, primeira plataforma [baseada em AI](https://towardsdatascience.com/why-tiktok-made-its-user-so-obsessive-the-ai-algorithm-that-got-you-hooked-7895bb1ab423?ref=productoversee.com) desde o começo, parece estar quase lá.

**6)** O Clubhouse usa os contatos do celular como “[social graph](https://cio.com.br/gestao/faca-a-teoria-dos-grafos-trabalhar-para-sua-empresa/?ref=productoversee.com)”. Logo quando você se cadastra, o aplicativo puxa os seus contatos e lhe envia uma notificação toda vez que algum deles abre uma conta no Clubhouse. A utilização da lista de contatos do celular como “social graph” não é exatamente um conceito novo ([em 2010 já se falava disso](https://techcrunch.com/2010/09/04/mobile-contacts-social-network/?ref=productoversee.com)), mas nunca foi implementado de forma eficiente. A ideia é que os contatos do celular já seriam em si uma rede social.

**7)** Já começam a aparecer os concorrentes ao Clubhouse. Andei testando o [Spaces](https://www.socialmediatoday.com/news/twitter-continues-to-quickly-evolve-its-clubhouse-competitor-spaces/595169/?ref=productoversee.com), do Twitter. Diferentemente do Clubhouse, o Twitter parece estar bem mais focado na tecnologia em si do que criar/trazer rapidamente uma rede de pessoas em torno da ferramenta. E o Facebook já começou a desenvolver um [clone](https://www.nytimes.com/2021/02/10/technology/facebook-building-product-clubhouse.html?ref=productoversee.com). Aliás, é interessante notar como o Facebook absorve rapidamente todas essas tendências de consumo digital. O Facebook de hoje é muito diferente do de anos atrás: já passou pela fase dos jogos online, eventos online, messenger. É como um “camaleão do mundo digital”, continuamente mudando e absorvendo tendências a seu redor, mas isso já é assunto para um próximo artigo aqui no Product Oversee.