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# 5 ordens de ignorância e o discovery de um PM
- URL: https://productoversee.com/blog/5-ordens-de-ignorancia-e-o-discovery-de-um-pm/
- Published: 2021-07-14T10:46:00.000Z
- Updated: 2022-08-15T14:38:07.000Z
- Description: Conhecendo os níveis onde o conhecimento é percebido ao processo de desenvolvimento de software
- Author: Lucas Balbino
- Tags: Delivery e Tático, #blog, Discovery, Experimentação e Testes

Quando falamos sobre **ignorância**, prontamente associamos com a falta de tato (ou de educação) ou com o senso de simploriedade. Mas o mais correto é relacionarmos com o **conhecimento** sobre determinado assunto que cada um tem. Quanto mais você conhece um tema, menos ignorante você é em relação a ele.

Na vida de um **Product Manager** (PM), essa noção está intimamente ligada a como sua função é desempenhada. Quanto mais você conhece sobre o produto e os problemas que ele resolve, menos você “ignora” as melhorias que devem ser feitas. Quanto mais competente você é para identificar o que domina ou não domina, melhor estabelece um bom processo de **discovery** e acompanhamento do delivery.

Em um artigo publicado em 2000, Phillip G. Armour propõe alguns níveis onde o conhecimento é percebido ligado ao processo de desenvolvimento de software. Ele chama de **5 ordens de ignorância**. Em cada uma das ordens conseguimos identificar o quão ignorante podemos ser em relação a um tema e como podemos diminuir esse gap (vale a pena também ler sobre o efeito Dunning-Kruger). Eu tomei a liberdade de apresentar os mesmos níveis propostos por ele e correlacionar com as atividades do dia-a-dia de um PM.

## Nível 0 - Falta de ignorância

![](https://cdn.substack.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa5b99c3c-789b-4dba-9a1d-e00ad52c38a3_1291x452.png)

No nível mais básico, temos a falta de ignorância, onde a pessoa **detém o conhecimento** sobre determinado assunto. O grande *“Eu sei”*. É quando não há dúvida se tal informação é o que parece ser ou não, você simplesmente conhece o assunto e sabe o que ele engloba e o que ele não engloba.

Se fizermos um paralelo no dia-a-dia de um PM é exatamente quando uma **hipótese é validada ou refutada**. Quando a entrega de uma funcionalidade ou melhoria foi feita para cliente(s), seu uso foi acompanhado e você consegue obter dados que confirmam que a solução atingiu seu objetivo ou quando você identifica que a solução não performou conforme esperado.

Pra mim representa o **fim de um ciclo de discovery/delivery** onde você pode usar aquela informação para elaborar outras hipóteses ou iterar sobre a solução alcançada.

## Nível 1 - Falta de conhecimento

![](https://cdn.substack.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4ae93fa9-1cd7-434e-a47d-f37394b0da0f_1292x456.png)

Já no nível 1 proposto por Armour está a falta de conhecimento, que se compreende em não deter o conhecimento sobre o assunto e **saber que não detém determinado conhecimento**. Podemos traduzir como *“Eu sei que eu não sei”*. Sabemos que idealmente não iremos saber sobre todos os assuntos, mas é muito importante estar nesse nível na maioria deles, pois dá clareza no que você consegue opinar e no que você não consegue. Não há dúvida que você não domina o assunto e tudo bem: você sabe que não o domina.

No ponto-de-vista de um PM, a falta de conhecimento está equiparada com quando uma **hipótese é definida**. Você já fez o discovery relacionado a determinado tema, identificou os problemas, listou os dados que corroboram para determinada sugestão de solução, coletou percepções de entrevistas e questionários com clientes e equipes internas e propôs uma funcionalidade ou melhoria que condiz com a estratégia da empresa e valor de negócio para o cliente. Não há dúvida sobre o problema que quer resolver, mas há dúvida sobre se a solução resolve ou não ele. É um conhecimento que você ainda não tem.

Para mim é o **final do discovery** e o momento em que é passado o bastão para o time de engenharia começar a trabalhar na entrega e rollout dessa solução. Após esse momento, descemos em mais um nível de ignorância, conhecendo o resultado da hipótese recomendada.

## Nível 2 - Falta de consciência

![](https://cdn.substack.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb9e0fe78-2b67-4792-8773-9f98dad7481d_1290x451.png)

No nível 2 temos a falta de consciência onde a pessoa não domina o assunto e **não tem noção de que esse assunto não faz parte dos conhecimentos que ela detém**. É o *“Eu não sei que eu não sei”*. É o nível de ignorância mais perigoso, pois dá a falsa sensação de que o tema é algo dominado pela pessoa, mas na verdade não é. É como estar dentro de uma bolha. Você nem tem dúvida, porque acha que não é preciso ter dúvida. Eu vejo que é onde as pessoas têm que ter muito cuidado e sempre se questionar.

No contexto da gestão de produtos, é quando **ainda não há hipóteses** de solução. Você não sabe nem ao certo qual é o problema a ser resolvido e por isso não tem como definir uma sugestão de melhoria ou funcionalidade, porque qualquer proposta não vai fazer sentido, o que será resolvido com ela? Por isso, é muito importante definir bem o problema, a meta a ser atingida quando o problema for resolvido, a métrica a ser monitorada quando a solução for testada, para aí sim você identificar o que sabe e o que não sabe.

Na visão de processo, é o **início do discovery** quando existe apenas um direcionamento estratégico, onde ainda não se sabe se é o rumo correto, mas que precisa de mais informações para diminuir o grau de ignorância e trazer à consciência a falta de conhecimento que existe sobre aquele tema.

## Nível 3 - Falta de processo

![](https://cdn.substack.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9e2c2a5b-ee3c-4b88-b561-37f48fd3d6db_1288x453.png)

Já o nível mais alto da ignorância, é a falta de processo onde **a pessoa não tem noção do conhecimento em si** para poder tirar alguma conclusão sobre deter ou não o assunto. É bem abstrato, mas consigo traduzir como *“Eu não sei como eu não sei que eu não sei”*. Para esse nível não existe exemplo específico, pois implica em nem saber sobre ele, pois se soubesse descobrir como saber sobre o tema, já estaria pelo menos no nível abaixo onde a pessoa pelo menos identifica o assunto 🤯.

Eu equiparo este nível a uma pessoa que nem conhece sobre gestão de produtos digitais, **não tem a mínima ideia sobre o que discovery** e delivery e nem estaria lendo esse texto.

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O que tiro de aprendizado nessa comparação entre a escada do conhecimento com o dia-a-dia de um PM é que nós sempre trabalhamos a fim de **diminuir nossa ignorância em relação ao nosso produto** e como ele é oferecido aos clientes. Quando construímos um produto digital, não sabemos se ele vai ser usado da forma como desenhamos, é somente na prática (ou “em produção” como dizemos) que identificamos novos problemas (ainda sem saber ao certo como resolver), elaboramos ideias sobre como mitigá-los considerando os desafios técnicos, de processo e de mercado e por fim, disponibilizamos uma entrega (output) que ratifica ou não a visão que tínhamos de solução de problema (outcome).

Também está totalmente relacionado à **priorização** de backlog, pois quanto **mais “ignorantes”** estamos em relação a um tema, **menor é seu grau de certeza** e a nossa consideração recai mais sobre o **impacto** que determinado tema tem para colocá-lo em uma posição ou outra na ordem de implementação.

P.S.: Você pode ter reparado que faltou o 4ª nível de ignorância... Ele não passa de uma meta ignorância: quando você não conhece as 5 ordens da ignorância propostas pelo artigo original. Algo que agora você já conhece ao ler esse texto 🙃.

## Referências

- [The five orders of ignorance](https://dl.acm.org/doi/10.1145/352183.352194?ref=productoversee.com) \[artigo original\]
- [Podcast pipe grep - Episódio “| grep know”](https://open.spotify.com/episode/4WLbbxFufcldWjRenUiyK0?si=2UpdKis%5FTL--rZ1gU4a9jA&ref=productoversee.com) \[spotify\]
- [Why incompetent people think they're amazing](https://www.youtube.com/watch?v=pOLmD%5FWVY-E&ref=productoversee.com) \[youtube\]
- [As 5 ordens da ignorância de Jose Claudio da Silva Junior](https://medium.com/@joseclaudio.dev/as-5-ordens-da-ignor%C3%A2ncia-194e75143997?ref=productoversee.com) \[artigo medium\]
- [Not so blissful ignorance: The Dunning-Kruger effect at work](https://www.businesstimes.com.sg/brunch/not-so-blissful-ignorance-the-dunning-kruger-effect-at-work?ref=productoversee.com) \[artigo\]